Alerta: H1N1 em comunidade Ianomami na Venezuela

Postado em Brasil, fatos, Índios em Novembro 4, 2009 por nitchka10

O Instituto Sócio-ambiental já noticiou: há uma epidemia do vírus H1N1 entre os Ianomami da Venezuela, com número de mortos confirmado e centenas de pessoas com sintomas. O Helder Ferreira, linguista que conhece bem a área dos ianomami no Brasil diz:

Os casos já são oficiais. A venezuela notificou segunda feira a OMS sobre 7 mortes e outros 15 casos. Falam de 400 até 1000 pessoas com sintomas (segundo organizações venezolanas e com base em relatos dos yanomami; os relatos estão chegando em Boa Vista também). No Brasil a FUNASA diz que os yanomami no Brasil não tem nada  a temer, que está tudo sobre controle, como se eles tivessem alguma poção mágica. O Brasil não tem vacinas ainda e mesmo se tivesse ninguem sabe ao certo qual seria o impacto da vacinação em populacões indígenas (se seria perigosa ou não, há diversos casos de vacinação contra outras doenças que foi a vacinacão letal para  pessoas indígenas…)

Até agora a mídia não deu nada.

Descaso com o lixo em São Paulo mata mas ninguém vê

Postado em Brasil, cidade, fatos, meio ambiente, saúde em Outubro 8, 2009 por nitchka10
É isso aí

É isso aí

Nesta semana recebi a notícia, meio que de penetra na conversa do porteiro com uma moradora, da morte de um dos faxineiros do prédio, o edifício Copan. Parece que o funcionário, que certamente conheci mas que a memória classista não me deixa lembrar, morreu de leptospirose. A doença foi diagnosticada tarde demais e o rapaz morreu em quatro dias. Uma semana depois associei o fato a uma barbárie que esta prefeitura maldita decidiu fazer: há pouco mais de três semanas todos os prédios da região são obrigados a colocar seu lixo na calçada. Imagine então o lixo de um prédio de 5 mil pessoas diariamente exposto em plena av. Ipiranga, diante de um dos cartões-postais da cidade. Associado a outro programa governamental de dizimação, chamado Nova Luz, responsável por um guenta geral em todos os moradores de rua, temos agora algumas toneladas de lixo que chegam a três metros de altura sendo revolvidas por uma pequena comunidade de zumbis deslocados. Nada me tira da cabeça que o nosso faxineiro, conhecido somente como Zé, enterrado em Alagoas, morreu mesmo por ter que carregar algumas centenas de sacos plásticos. Sim, é impossível afirmar isso com certeza, já que a leptospirose é uma doença transmitida por animais principalmente em vias aquosas. Mas que venham os turistas visitar o centro da cidade de São Paulo, com seus antigos espaços verdadeiramente públicos, as suas calçadas largas, totalmente desfiguradas por governantes incapazes de fazer talvez a mais básica das funções de uma prefeitura: recolher lixo. Talvez eles já tenham terceirizado o serviço para a turma da reciclagem, que agora ronda as cidades catando o que for, fazendo algo totalmente indigno, algo pelo que seguramente já pagamos. Realmente oz governoz não passam de péssimos síndicos, que jamais vão mudar nada, e mesmo como simples administradores de uma pequena fração pública, continuam a brincar de fazer planilhas e excluir e matar gente.

Em tempo: Washington Novaes alerta para o problema do lixo no mundo

Prefeitura corta verba e lixo se acumula nas ruas de São Paulo

Roberto Mangabeira Unger

Postado em Brasil, anarquismo americano, livros, meio ambiente em Agosto 23, 2009 por nitchka10

Roberto Mangabeira Unger tem sotaque. E talvez seja essa uma das poucas coisas que sabemos sobre ele. Os mais informados sabem talvez que o professor leciona em Harvard e que trabalhou no governo. Ao menos, é isso que a The Economist sabe ou finge saber. Pois caiu-me nas mãos um artigo do filósofo americano Richard Rorty sobre o “filósofo brasileiro” (como o descreve o colega), no qual a obra de Unger é apresentada como uma alternativa esperançosa à Escola do Ressentimento, a saber, o pensamento francês pós-moderno. Exageros à parte, resolvi ler algo e comprei o livro Falsas necessidades, publicado em 2005 pela Boitempo. A princípio pensei se tratar de um Fukuyama universalista, um liberal. Mas só pelo fato de ele usar com frequência a palavra “sociedade” lhe desabonaria a alcunha, ao menos perante os colegas neoliberais. Alguns pontos centrais: a) a reflexão sobre o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento de instituições nos países pobres vale também para se pensar criativamente algumas saídas para os países desenvolvidos. Afinal, cresce entre eles também a desigualdade e a abstração descompromissada dos mecanismos de geração de renda, como se provou com a recente crise do sistema financeiro. b) há um vazio ideológico, desde a queda do muro de Berlim, e a esquerda marxista não formulou alternativas. E como a guarda se abriu, o pensamento único aparentemente se impôs.

A ideia de que o mundo caminha vagarosamente rumo a um conjunto homogêneo formado por práticas adequadas e instituições possíveis faz com que essa perspectiva possa parecer plausível. Ela diminui a necessidade que se sente de se inferir práticas e instituições específicas a partir de concepções abstratas. Eu me refiro à democracia e ao mercado.

A tranquilidade política continuará a justificar modelos racionais de reconstrução, até que surjam problemas verdadeiros no mundo real. E não há necessidade de que seja uma grande questão, a exemplo de uma guerra de proporções mundiais ou de uma depressão econômica mais aguda. Basta tão-somente uma crise de dimensões menores, como a instabilidade financeira que se propagou no biênio 1997-1999.

Mas será Unger mais um tecnocrata de fé cega no Estado? Acho que não. Curiosamente, a ênfase (e talvez a parte mais difícil de ser defendida) está no indivíduo.

Por política, nesse cenário, eu me refiro tanto ao

mais limitado conceito de luta pela obtenção e uso do poder governamental, como aos mais amplos sentidos de conflito, controvérsia e compromisso em torno dos termos de relacionamento práticos, emocionais e cognitivos que vivenciamos uns com os outros. Entre esses dois polos de significa encontra-se um sentido intermediário tão central ao argumento desde livro: a política é ação prática e espiritual para reprodução, refinamento, reforma ou remodelagem dos arranjos insitucionais e das crenças arraigadas que informam as rotinas da sociedade.

É uma política total, que pode virar piada na boca de um adorniano, que gargalha diante do conceito universal de sujeito. Mas se considerarmos como potência o pensamento americano sobre a liberdade, sobre o individualismo e, algumas experiências americanas anarco-individualistas e também liberais heterodoxas (quem conhece os anarco-capitalistas americanos?), que só foram possíveis nos EUA, as teorias e sobretudo a praxis de Unger passam a ter mais sentido.

Por um lado, trata-se de liberalismo radical. Um liberalismo que sacrifica dogmas liberais sobre insituições políticas e sociais. Dogmas que os liberais têm tradicionalmente vinculado às expectativas sobre as possibilidades humanas. Por outro lado, trata-se de socialismo não estatal, outorgando conteúdo distindo e controverso à concepção de economia de mercado adaptável a princípios socialistas, hoje ideia tida como vazia de sentido.

R.M.U. na prática

No Brasil, Mangabeira participou recentemente do governo Lula, como ministro de Assuntos Extragégicos, entre 2007 e julho de 2009. Sua preocupação maior parece ter sido a Amazônia, cujo Plano Amazônia Sustentável (PAS) delineou uma verdadeira tarefa de institucionalização do solo, contrária à posição do ministério do meio ambiente.

A política de cooperação entre as nações em desenvolvimento, principalmente entre os países do Sul parece ser importante também para ele, o que me faz pensar que a formação de um bloco denominado BRIC não é apenas uma abstração do banco Goldman Sachs. Desde o início do governo Lula, o Itamarati mudou o eixo Norte-Sul para o pleonástico Sul-Sul, ainda que Rússia esteja arriba. E é muito provável que este discurso todo tenha relação com as “alternativas de globalização” propostas por Unger.

Parto normal ou cesárea?

Postado em Brasil, saúde em Agosto 15, 2009 por nitchka10

“Quando você vai ter um filho, a melhor coisa é procurar um médico de confiança.” Bom, sinto dizer, mas isso não é suficiente. Um médico nunca joga sozinho. Ele é parte de um sistema complexo de forças, e é preciso levar em conta as empresas seguradoras, os hospitais, laboratórios e empresas farmacêuticas. No caso dos obstetras, essa distorção se traduz no número de cesáreas desnecessárias praticadas no país. O Brasil é campeão na área. Na rede privada, parece que 95% dos partos são cirúrgicos. Na rede pública, a coisa chega “somente” a 30%. Pelo que li por aí, a Organização Mundial de Saúde recomenda que o procedimento não passe de 15%. Mar por que isso? As ceráreas são indicadas apenas para alguns casos de complicação, quando o nenê por exemplo “não virou”, quando ele é descomunal, quando a mãe é hipertensa etc. etc.

A maioria das cesarianas são realizadas por progressão lenta do trabalho de parto. Dentre outras indicações temos também o sofrimento fetal agudo, as desproporções entre o tamanho do feto e da bacia óssea materna, placenta prévia, lesão por herpes ativa no momento do trabalho de parto, prolapso de cordão, feto em posição anômala, falha de indução quando se há indicação de interrupção de gravidez. [Fonte]

Os médicos sabem bem disso, mas eles ganham pouco dos seguros para fazer os partos normais, que podem durar até 24 horas. Além disso, têm uma vida dupla, pulando do hospital para o consultório, e tal regime inviabilizaria a agende deles. Nada mais “normal” do que enfileirar as mulheres na parte da manhã, em cirurgias marcadas, para facilitar a vida de todo mundo. O problema é que a mulher demora 30 dias para se recuperar de uma cesárea, tem 11 vezes mais chance de pegar uma infecção hospitalar, três vezes mais chance de morte[fonte], e o nenê, pasme, corre muito mais riscos de ter problemas respiratórios. Enfim, não é preciso ser médico para perceber que cortar 7 tecidos é mais invasivo que deixar o bebê sair por um canal existente. Minha tristeza foi perceber que nosso “médico de confiança” fez todo discurso pelo parto normal, e numa bela tarde marcou a operação. Daí então começaram as lendas urbanas:

“Você não vai entrar em trabalho de parto.” Bom, na autoridade de fã do Animal Planet posso falar que nunca vi um programa sobre prenhas entaladas.

“Mas se você deixar, o nenê poderá ter sofrimento fetal.” Sofrimento fetal se detecta pelo batimento cardíaco do nenê. E dá para escutar o batimento até com um copo.

“O nenê poderá comer o mecônio.” “Ai, meu filho vai comer cocô e apodrecer!” Bom, lembre-se que o líquido aminiótico é xixi de nenê, e se ele estiver bem (com batimento cardíaco regular) ele engole qualquer coisa, digere e manda pra fora. O problema é mecônio associado ao sofrimento fetal, porque nesses casos o nenê pode aspirar o mecônio e ter complicações respiratórias no pós-parto. Mas o duro de ouvir é que, se ele estiver em sofrimento fetal, uma cesárea só aumenta o risco de ele aspirar o mecônio.

“O nenê passou do ponto.” Caramba, quantas semanas pode ter uma gestação? Pelo que vi, o termo são 40 semanas e são possíveis mais duas sem grandes riscos.

Há um bocado de outras coisas, como “dores mortais do parto”, “parto normal é impossível para mãe que já fez uma cesárea”, “a maldição do fórceps”…

Depois de tanta pressão psicológica foi difícil encararmos a situação e decidir mudar de médico praticamente no dia do parto. Foi quando me perguntei: como funciona nos países onde o parto normal é realmente normal? Nesses lugares o trabalho do pré-natal e o do nascimento são coisas bem distintas, executadas por profissionais diferentes, pois seria impossível conciliar as jornadas de trabalho. No desespero, caímos no Gama, singela contrarreação ao sistema das cesáreas. Lá nos informaram que nem todo hospital gosta de parto normal. E infelizmente, para garantir, o melhor seria levar a equipe toda, médico, obstetriz, anestesista e… até um pediatra, porque os procedimentos são muito diferentes. Dito e feito: o nenê resolveu nascer às 22h e quando chegamos ao hospital, a tranquilidade era tanta que estranhei. “A maioria das mães têm filho até às 18h horas”, me disse a enfermeira. E nós éramos os únicos do centro cirúrgico.

Nossa história felizmente acabou bem. O nenê nasceu muito bem, 24h após o horário da cesárea, a qual felizmente cabulamos, depois de ouvir os vaticínios do médico: “Seu filho não nascerá”.

Não sou médico e possivelmente as informações que coloquei aqui são muito discutíveis. Mas percebi que até mesmo para ter filho é preciso entender que estamos diante do fetiche do mercado, cuja lógica é a da produtividade, e portanto, cabe não acreditar de cara nas verdades científicas.

Para quem quer ter parto normal,  sugiro que se informe desde o início e tenha claro que nesse nosso sistema, não existe gente “meio” à favor de parto normal. Leve em conta também que pior do que uma cesárea é uma cesárea marcada, pois o simples fato de o nenê entrar em trabalho de parto já é garantia de muita coisa para ele.

Separei uns links aqui que talvez sejam úteis para quem quiser se informar:

http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?tool=pmcentrez&artid=1479438

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102001000200015

http://pph.a-little-wish.co.uk/media-articles/caesarean-mothers-triple-hysterectomy-risk-for-next-pregnancy.aspx

http://www.hospitaldocoracao.com.br/conteudo/noticia.php?tx=YToxOntzOjI6ImlkIjtzOjM6IjQ2NyI7fQ==

http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo086.shtml

Neocons all over the world

Postado em movimentos em Julho 26, 2009 por nitchka10

Through R. Pagliuso.

O que significa neocon? Hum… afinal, todo mundo conhece um. Aquele cara super bem informado e agressivo que de repente abandona as questões infinitas da esquerda sobre a igualdade na marra e a luta contra a classes dominante predominantemente gorda, de bigodes e charuto, e começa a falar em estratégias macroeconômicas e militares. “Eles vão colocar  uma base aqui, um oleoduto aqui, segurar os russos, os chineses vão passar, mais duas décadas os americanos caem e a nova ordem será então…” Bom, ao menos são pessoas bem informadas, não se pode negar.

Recentemente li o texto de Malastesta, “Em período eleitoral”, em que o anarquista italiano descarta a via parlamentar, e descobri que esta foi uma das principais  questões que separaram anarquistas e socialistas depois da internacional de 1872. Como não sou historiador nem estudo nada desse período, ainda me surpreendo com esse tipo de informação. Afinal, a tal “esquerda” nem sempre fora tão pragmática… Existia vida socialista inteligente além do “partido”.

Por outro lado, tendo a concordar com a Marilena Chauí, que diz sempre: igualar a esquerda com a direita é uma das melhores artimanhas da direita.

Bom, não sei bem por onde corre o espectro do socialismo, mas acho que ele vem de bicicleta.

FASP: Como fundar uma fundação anarquista?

Postado em movimentos em Julho 8, 2009 por nitchka10

Eu não sei, mas o Felipe sabe e tenho a maior admiração pela força. Lá vai a carta dele.

Creio que vocês devem saber que estamos organizando o II Pró-FASP aqui em SP. O objetivo do encontro é apresentar o desenvolvimento teórico e prático de nossa pró-organização (dentro deste pouco mais de 1 ano de atividade) e conseguir outras pessoas interessadas em seguir conosco em mais uma
tentativa de construção do anarquismo organizado em SP. O encontro acontecerá em 18 e 19/7 e terá presença dos companheiros da FARJ e FAG. Pretendemos fundar a FASP em novembro deste ano.

Sabemos que para muitos há o problema da distância e do dinheiro. No entanto, caso alguém queira vir acompanhar, será um prazer recebê-los.

Mais informações: www.anarquismosp.org.

Um abraço,
Felipe

O exército da Cavalaria, Isaac Bábel

Postado em literatura em Julho 7, 2009 por nitchka10

Nos postes estavam afixados avisos dizendo que à noite o comissário de divisão Vinográdov iria fazer um discurso sobre o Segundo Congresso do Komintern. Diante de minha janela, alguns cossacos iam fuzilar por espionagem um velho judeu de barba prateada. O velho gritava e se debatia. Então Kúdria, do setor de metralhadoras, agarrou-lhe a cabeça e segurou-a com a axila. O judeu acalmou-se e abriu as pernas. Kúdria tirou o punhal com a mão direita e degolou o velho com cuidado, para não se manchar de sangue. Depois bateu numa janela fechada.

– Quem quiser, venha apanhá-lo — disse. — Não é proibido…

Cana-de-açúcar modificada para vingar no cerrado

Postado em Brasil, meio ambiente em Junho 30, 2009 por nitchka10

Li hoje nota no Valor sobre o “lançamento” de uma nova cana-de-açúcar adaptada para o cerrado brasileiro, conquista do Instituto Agronômico de Campinhas, e me lembrei das insistentes matérias de Washington Novaes sobre o mais ameaçado dos biomas. Me lembrei também do Aziz Ab’Saber –grande geógrafo e partidário de primeira hora do governo Lula– dizendo que esse governo optou pela ignorância total sobre assuntos regionais em favor de uma política desenvolvimentista nos moldes da ditadora. E com pesar chego a algumas conclusões:

1. a função do Brasil no capitalismo global é fornecer commodities. É assim que o Brasil está crescendo e é essa a “função” do país. (Veja matéria sobre os BRICs (TheEconomist)

2. qualquer governo, local ou regional, no fundo representa o interesse do crescimento (leia-se fetiche?), e dada a “especificidade brasileira”, seremos por um bom tempo, o país da Soja, da Cana-de-Açucar e do Petróleo. Não importam as idéias dos partidos, o que vale é a manutenção das forças econômicas. Nas palavras singelas da bancada ruralista: “um terço das riquezas do país vem do agronegócio“.

3. dito isso, qualquer debate sobre o meio-ambiente é mera encenação. E o Brasil está mesmo em rota de colisão com a biodiversidade.

4. definitivamente, odeio a palavra “sustentável”, que junta toda forma de economia utópica, com cremes de beleza, atividades pseudo-ecológicas para aliviar a culpa do cidadão (fechar a torneira, separar o plástico…), que ignora as regionalidades e apresenta-se como uma razão universal “do bem”, que evita a principal questão: o que é o crescimento econômico.

Literalmente, o fim da picada:

Com o aumento e o incentivo do governo brasileiro ao mercado de biocombustíveis, cresce também o cultivo da cana-de-açúcar no país. Segundo o ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza – o bioma que mais sofre os impactos da expansão da lavoura da cana é o cerrado.
Também considerado o segundo bioma mais ameaçado do Brasil, o aumento do cultivo da cana-de-açúcar em áreas consideradas prioritárias compromete a biodiversidade do cerrado e a produção de alimentos… [Fonte]

Direto de Teerã

Postado em imprensa, mídia com as tags , em Junho 21, 2009 por nitchka10

Há anos que não sabemos o que é um correspondente na mídia impressa. Mas de fato a notícia direta não é mais broadcast. Um grande exemplo disso é o blog do Pedro Dória.

Não, não acho que Mir Hossein Mousavi seja o melhor para o Irã. Quando foi premiê, muita gente foi fuzilada no país. Mas acredito que o grupo político que ele representa, dos reformistas, é melhor para os iranianos do que os conservadores, representados por Ahmadinejad. Sim, o ideal é que não exista ditadura. Só que entre uma ditadura que permite alguma liberdade individual no modelo chinês e outra que proíbe mulheres de entrarem num estádio de futebol ou apedreja quem faz sexo antes do casamento, fico com Mousavi contra Ahmadinejad.

Soube recentemente que a função de presidente no Irã é bastante dependente do conselho religioso, e portanto a eleição não mudaria os rumos da ditadura. Mas a briga nas ruas talvez demonstre a falta de consenso.

Quando fazia faculdade ainda, lembro-me de ter recebido pelo correio, sem remetente, uma edição da constituição do Irã, em português. Como não tenho iranianos na família, não estudo farsi, não sou muçulmano nem diplomata, acredito que tenha sido uma divulgação em massa. Alguém do governo queria provar que o Irã tem também uma constituição  à la française.

ADEUS, GENERAL MOTORS POR MICHAEL MOORE

Postado em cidade, tecnologia com as tags em Junho 13, 2009 por nitchka10

Tradução do original em :
http://www.huffingtonpost.com/michael-moore/goodbye-gm_b_209603.html[1]

Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors.
Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá
oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado
ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado
por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM
e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão
abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma
cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se
sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência
programada” – a decisão de construir carros que se destroem em
poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se
tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que
o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e
seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A
GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação
ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram
os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam
se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda
lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de
empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto
prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros
recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México
e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de
trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao
eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram
também uma parte dos compradores de carros. A História irá
registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot
francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos
antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda
não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do
prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha
cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar,
debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas
para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer
sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que
eles também perderam o emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de
carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma
empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de
impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a
respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a
preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e
deve ser prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas
poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de
energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos
conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes,
trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa
infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial
e a mão-de-obra especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela
corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para
o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos
atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as
pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os
comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que
está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse
histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl
Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em
guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de
carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem
energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM
interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de
montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta
conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas
foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós
travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes
corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os
produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje uma das
maiores armas de destruição em massa, responsável pelas mudanças
climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de
dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe
Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à
ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do
petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo
o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão
“chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram
milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para
as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem
ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no
planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado
para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um
litro de gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente
converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela
continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para
manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a
construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O
Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala
este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h.
Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens
há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já
existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los
Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido
usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para
construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em
menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a
Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves
sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa
esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para
instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de
bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus
energeticamente eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros
híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para
que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar,
então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que
os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses
(não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas
levará alguns anos – isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços
para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia
alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares
imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus
ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar
energia alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto
em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais
pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem
a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de
automóveis irão construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors,
já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser
construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de
longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo
a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção.
Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele
nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes
drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás
também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à
corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela
primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora
isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente
– e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística
– devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com
este limão amargo e triste.

Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte
certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint –
Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho
que nós podemos fazer um trabalho melhor.

Michael Moore