“A poluição em São Paulo” ou “A bicicleta contra Goebbels”
Há falas geniais na internet. O apocalipse motorizado é sem dúvida um reservatório delas. Das mídias mais sensatas e independentes que já li. Hoje temos:
Enquanto os olhos vermelhos, a tosse e as doenças respiratórias se multiplicam exponencialmente em todos os cantos da cidade, segue em curso a poderosa tática de desinformação para preservar o sagrado automóvel.
Para os deformadores de opinião, a culpa é do tempo seco, não da poluição. Os conselhos para a desinformação pública jamais passam pelo combate coletivo às causas.
As soluções propostas são sempre individuais, beirando o limite do cretino. “Feche o vidro e ligue o ar-condicionado”. Aumente o consumo de combustível e a poluição emitida pelo seu carro para que você possa se proteger da poluição emitida pelo seu carro.
De onde vem a tática da desinformação? A quem serve diretamente? Só me ocorre mesmo ler uma boa biografia de Goebbels ao som de Wagner. Achei por acaso os discursos dele, traduzidos para o inglês. E numa leitura rápida é possível entender a seguinte estrutura;
- Eu (Goebbels) falo com vocês (público) contra a propaganda. Nós estamos juntos nessa.
- Estamos sendo atacados. Há um perigo: a propaganda.
- Os meios de comunicação são difamatórios.
- A propaganda combate a propaganda.
Vai aí um pequeno trecho:
Se a nossa batalha contra a anarquia dos problemas radicais está se tornando um problema global, esta não era nossa intensão. A conspiração forjada contra a Alemanha não vai conseguir nos levar a destruição, mas ao contrário abrirá os olhos de todos os povos do mundo.
Deixe-me dizer em poucas palavras sobre as medidas que estamos tomando contra a propaganda direta contra nós. Está claro que a grande campanha contra a paz e a segurança alemã pode ficar sem resposta. A propaganda contra nós será combatida com a propaganda internacional a nosso favor.
[...]
Nossa situação estrangeira atual é idêntica a nossa situação interna, quando começamos.
Aqueles que participam dos nossos encontros ficam chocados com o contraste entre o que os jornais inimigos dizem sobre nós e sobre o que realmente somos. Quem visita a Alemanha hoje tem a mesma sensação. [...] Qualquer pessoa honesta, inteligente e objetiva, de onde quer que seja, achará aqui um povo e um governo que tenta superar toda e qualquer dificuldade do pós-guerra com suas próprias forças. Nós temos que mostrar para o mundo o que já provamos para os nossos partidários: nós nunca perdemos a paciência. [1934, fonte]