Cana-de-açúcar modificada para vingar no cerrado

Li hoje nota no Valor sobre o “lançamento” de uma nova cana-de-açúcar adaptada para o cerrado brasileiro, conquista do Instituto Agronômico de Campinhas, e me lembrei das insistentes matérias de Washington Novaes sobre o mais ameaçado dos biomas. Me lembrei também do Aziz Ab’Saber –grande geógrafo e partidário de primeira hora do governo Lula– dizendo que esse governo optou pela ignorância total sobre assuntos regionais em favor de uma política desenvolvimentista nos moldes da ditadora. E com pesar chego a algumas conclusões:

1. a função do Brasil no capitalismo global é fornecer commodities. É assim que o Brasil está crescendo e é essa a “função” do país. (Veja matéria sobre os BRICs (TheEconomist)

2. qualquer governo, local ou regional, no fundo representa o interesse do crescimento (leia-se fetiche?), e dada a “especificidade brasileira”, seremos por um bom tempo, o país da Soja, da Cana-de-Açucar e do Petróleo. Não importam as idéias dos partidos, o que vale é a manutenção das forças econômicas. Nas palavras singelas da bancada ruralista: “um terço das riquezas do país vem do agronegócio“.

3. dito isso, qualquer debate sobre o meio-ambiente é mera encenação. E o Brasil está mesmo em rota de colisão com a biodiversidade.

4. definitivamente, odeio a palavra “sustentável”, que junta toda forma de economia utópica, com cremes de beleza, atividades pseudo-ecológicas para aliviar a culpa do cidadão (fechar a torneira, separar o plástico…), que ignora as regionalidades e apresenta-se como uma razão universal “do bem”, que evita a principal questão: o que é o crescimento econômico.

Literalmente, o fim da picada:

Com o aumento e o incentivo do governo brasileiro ao mercado de biocombustíveis, cresce também o cultivo da cana-de-açúcar no país. Segundo o ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza – o bioma que mais sofre os impactos da expansão da lavoura da cana é o cerrado.
Também considerado o segundo bioma mais ameaçado do Brasil, o aumento do cultivo da cana-de-açúcar em áreas consideradas prioritárias compromete a biodiversidade do cerrado e a produção de alimentos… [Fonte]

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