Archive for the Brasil Category

Alerta: H1N1 em comunidade Ianomami na Venezuela

Posted in Índios, Brasil, fatos on novembro 4, 2009 by nitchka10

O Instituto Sócio-ambiental já noticiou: há uma epidemia do vírus H1N1 entre os Ianomami da Venezuela, com número de mortos confirmado e centenas de pessoas com sintomas. O Helder Ferreira, linguista que conhece bem a área dos ianomami no Brasil diz:

Os casos já são oficiais. A venezuela notificou segunda feira a OMS sobre 7 mortes e outros 15 casos. Falam de 400 até 1000 pessoas com sintomas (segundo organizações venezolanas e com base em relatos dos yanomami; os relatos estão chegando em Boa Vista também). No Brasil a FUNASA diz que os yanomami no Brasil não tem nada  a temer, que está tudo sobre controle, como se eles tivessem alguma poção mágica. O Brasil não tem vacinas ainda e mesmo se tivesse ninguem sabe ao certo qual seria o impacto da vacinação em populacões indígenas (se seria perigosa ou não, há diversos casos de vacinação contra outras doenças que foi a vacinacão letal para  pessoas indígenas…)

Até agora a mídia não deu nada.

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Descaso com o lixo em São Paulo mata mas ninguém vê

Posted in Brasil, cidade, fatos, meio ambiente, saúde on outubro 8, 2009 by nitchka10
É isso aí

É isso aí

Nesta semana recebi a notícia, meio que de penetra na conversa do porteiro com uma moradora, da morte de um dos faxineiros do prédio, o edifício Copan. Parece que o funcionário, que certamente conheci mas que a memória classista não me deixa lembrar, morreu de leptospirose. A doença foi diagnosticada tarde demais e o rapaz morreu em quatro dias. Uma semana depois associei o fato a uma barbárie que esta prefeitura maldita decidiu fazer: há pouco mais de três semanas todos os prédios da região são obrigados a colocar seu lixo na calçada. Imagine então o lixo de um prédio de 5 mil pessoas diariamente exposto em plena av. Ipiranga, diante de um dos cartões-postais da cidade. Associado a outro programa governamental de dizimação, chamado Nova Luz, responsável por um guenta geral em todos os moradores de rua, temos agora algumas toneladas de lixo que chegam a três metros de altura sendo revolvidas por uma pequena comunidade de zumbis deslocados. Nada me tira da cabeça que o nosso faxineiro, conhecido somente como Zé, enterrado em Alagoas, morreu mesmo por ter que carregar algumas centenas de sacos plásticos. Sim, é impossível afirmar isso com certeza, já que a leptospirose é uma doença transmitida por animais principalmente em vias aquosas. Mas que venham os turistas visitar o centro da cidade de São Paulo, com seus antigos espaços verdadeiramente públicos, as suas calçadas largas, totalmente desfiguradas por governantes incapazes de fazer talvez a mais básica das funções de uma prefeitura: recolher lixo. Talvez eles já tenham terceirizado o serviço para a turma da reciclagem, que agora ronda as cidades catando o que for, fazendo algo totalmente indigno, algo pelo que seguramente já pagamos. Realmente oz governoz não passam de péssimos síndicos, que jamais vão mudar nada, e mesmo como simples administradores de uma pequena fração pública, continuam a brincar de fazer planilhas e excluir e matar gente.

Em tempo: Washington Novaes alerta para o problema do lixo no mundo

Prefeitura corta verba e lixo se acumula nas ruas de São Paulo

Roberto Mangabeira Unger

Posted in anarquismo americano, Brasil, livros, meio ambiente on agosto 23, 2009 by nitchka10

Roberto Mangabeira Unger tem sotaque. E talvez seja essa uma das poucas coisas que sabemos sobre ele. Os mais informados sabem talvez que o professor leciona em Harvard e que trabalhou no governo. Ao menos, é isso que a The Economist sabe ou finge saber. Pois caiu-me nas mãos um artigo do filósofo americano Richard Rorty sobre o “filósofo brasileiro” (como o descreve o colega), no qual a obra de Unger é apresentada como uma alternativa esperançosa à Escola do Ressentimento, a saber, o pensamento francês pós-moderno. Exageros à parte, resolvi ler algo e comprei o livro Falsas necessidades, publicado em 2005 pela Boitempo. A princípio pensei se tratar de um Fukuyama universalista, um liberal. Mas só pelo fato de ele usar com frequência a palavra “sociedade” lhe desabonaria a alcunha, ao menos perante os colegas neoliberais. Alguns pontos centrais: a) a reflexão sobre o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento de instituições nos países pobres vale também para se pensar criativamente algumas saídas para os países desenvolvidos. Afinal, cresce entre eles também a desigualdade e a abstração descompromissada dos mecanismos de geração de renda, como se provou com a recente crise do sistema financeiro. b) há um vazio ideológico, desde a queda do muro de Berlim, e a esquerda marxista não formulou alternativas. E como a guarda se abriu, o pensamento único aparentemente se impôs.

A ideia de que o mundo caminha vagarosamente rumo a um conjunto homogêneo formado por práticas adequadas e instituições possíveis faz com que essa perspectiva possa parecer plausível. Ela diminui a necessidade que se sente de se inferir práticas e instituições específicas a partir de concepções abstratas. Eu me refiro à democracia e ao mercado.

A tranquilidade política continuará a justificar modelos racionais de reconstrução, até que surjam problemas verdadeiros no mundo real. E não há necessidade de que seja uma grande questão, a exemplo de uma guerra de proporções mundiais ou de uma depressão econômica mais aguda. Basta tão-somente uma crise de dimensões menores, como a instabilidade financeira que se propagou no biênio 1997-1999.

Mas será Unger mais um tecnocrata de fé cega no Estado? Acho que não. Curiosamente, a ênfase (e talvez a parte mais difícil de ser defendida) está no indivíduo.

Por política, nesse cenário, eu me refiro tanto ao

mais limitado conceito de luta pela obtenção e uso do poder governamental, como aos mais amplos sentidos de conflito, controvérsia e compromisso em torno dos termos de relacionamento práticos, emocionais e cognitivos que vivenciamos uns com os outros. Entre esses dois polos de significa encontra-se um sentido intermediário tão central ao argumento desde livro: a política é ação prática e espiritual para reprodução, refinamento, reforma ou remodelagem dos arranjos insitucionais e das crenças arraigadas que informam as rotinas da sociedade.

É uma política total, que pode virar piada na boca de um adorniano, que gargalha diante do conceito universal de sujeito. Mas se considerarmos como potência o pensamento americano sobre a liberdade, sobre o individualismo e, algumas experiências americanas anarco-individualistas e também liberais heterodoxas (quem conhece os anarco-capitalistas americanos?), que só foram possíveis nos EUA, as teorias e sobretudo a praxis de Unger passam a ter mais sentido.

Por um lado, trata-se de liberalismo radical. Um liberalismo que sacrifica dogmas liberais sobre insituições políticas e sociais. Dogmas que os liberais têm tradicionalmente vinculado às expectativas sobre as possibilidades humanas. Por outro lado, trata-se de socialismo não estatal, outorgando conteúdo distindo e controverso à concepção de economia de mercado adaptável a princípios socialistas, hoje ideia tida como vazia de sentido.

R.M.U. na prática

No Brasil, Mangabeira participou recentemente do governo Lula, como ministro de Assuntos Extragégicos, entre 2007 e julho de 2009. Sua preocupação maior parece ter sido a Amazônia, cujo Plano Amazônia Sustentável (PAS) delineou uma verdadeira tarefa de institucionalização do solo, contrária à posição do ministério do meio ambiente.

A política de cooperação entre as nações em desenvolvimento, principalmente entre os países do Sul parece ser importante também para ele, o que me faz pensar que a formação de um bloco denominado BRIC não é apenas uma abstração do banco Goldman Sachs. Desde o início do governo Lula, o Itamarati mudou o eixo Norte-Sul para o pleonástico Sul-Sul, ainda que Rússia esteja arriba. E é muito provável que este discurso todo tenha relação com as “alternativas de globalização” propostas por Unger.

Parto normal ou cesárea?

Posted in Brasil, saúde on agosto 15, 2009 by nitchka10

“Quando você vai ter um filho, a melhor coisa é procurar um médico de confiança.” Bom, sinto dizer, mas isso não é suficiente. Um médico nunca joga sozinho. Ele é parte de um sistema complexo de forças, e é preciso levar em conta as empresas seguradoras, os hospitais, laboratórios e empresas farmacêuticas. No caso dos obstetras, essa distorção se traduz no número de cesáreas desnecessárias praticadas no país. O Brasil é campeão na área. Na rede privada, parece que 95% dos partos são cirúrgicos. Na rede pública, a coisa chega “somente” a 30%. Pelo que li por aí, a Organização Mundial de Saúde recomenda que o procedimento não passe de 15%. Mar por que isso? As ceráreas são indicadas apenas para alguns casos de complicação, quando o nenê por exemplo “não virou”, quando ele é descomunal, quando a mãe é hipertensa etc. etc.

A maioria das cesarianas são realizadas por progressão lenta do trabalho de parto. Dentre outras indicações temos também o sofrimento fetal agudo, as desproporções entre o tamanho do feto e da bacia óssea materna, placenta prévia, lesão por herpes ativa no momento do trabalho de parto, prolapso de cordão, feto em posição anômala, falha de indução quando se há indicação de interrupção de gravidez. [Fonte]

Os médicos sabem bem disso, mas eles ganham pouco dos seguros para fazer os partos normais, que podem durar até 24 horas. Além disso, têm uma vida dupla, pulando do hospital para o consultório, e tal regime inviabilizaria a agende deles. Nada mais “normal” do que enfileirar as mulheres na parte da manhã, em cirurgias marcadas, para facilitar a vida de todo mundo. O problema é que a mulher demora 30 dias para se recuperar de uma cesárea, tem 11 vezes mais chance de pegar uma infecção hospitalar, três vezes mais chance de morte[fonte], e o nenê, pasme, corre muito mais riscos de ter problemas respiratórios. Enfim, não é preciso ser médico para perceber que cortar 7 tecidos é mais invasivo que deixar o bebê sair por um canal existente. Minha tristeza foi perceber que nosso “médico de confiança” fez todo discurso pelo parto normal, e numa bela tarde marcou a operação. Daí então começaram as lendas urbanas:

“Você não vai entrar em trabalho de parto.” Bom, na autoridade de fã do Animal Planet posso falar que nunca vi um programa sobre prenhas entaladas.

“Mas se você deixar, o nenê poderá ter sofrimento fetal.” Sofrimento fetal se detecta pelo batimento cardíaco do nenê. E dá para escutar o batimento até com um copo.

“O nenê poderá comer o mecônio.” “Ai, meu filho vai comer cocô e apodrecer!” Bom, lembre-se que o líquido aminiótico é xixi de nenê, e se ele estiver bem (com batimento cardíaco regular) ele engole qualquer coisa, digere e manda pra fora. O problema é mecônio associado ao sofrimento fetal, porque nesses casos o nenê pode aspirar o mecônio e ter complicações respiratórias no pós-parto. Mas o duro de ouvir é que, se ele estiver em sofrimento fetal, uma cesárea só aumenta o risco de ele aspirar o mecônio.

“O nenê passou do ponto.” Caramba, quantas semanas pode ter uma gestação? Pelo que vi, o termo são 40 semanas e são possíveis mais duas sem grandes riscos.

Há um bocado de outras coisas, como “dores mortais do parto”, “parto normal é impossível para mãe que já fez uma cesárea”, “a maldição do fórceps”…

Depois de tanta pressão psicológica foi difícil encararmos a situação e decidir mudar de médico praticamente no dia do parto. Foi quando me perguntei: como funciona nos países onde o parto normal é realmente normal? Nesses lugares o trabalho do pré-natal e o do nascimento são coisas bem distintas, executadas por profissionais diferentes, pois seria impossível conciliar as jornadas de trabalho. No desespero, caímos no Gama, singela contrarreação ao sistema das cesáreas. Lá nos informaram que nem todo hospital gosta de parto normal. E infelizmente, para garantir, o melhor seria levar a equipe toda, médico, obstetriz, anestesista e… até um pediatra, porque os procedimentos são muito diferentes. Dito e feito: o nenê resolveu nascer às 22h e quando chegamos ao hospital, a tranquilidade era tanta que estranhei. “A maioria das mães têm filho até às 18h horas”, me disse a enfermeira. E nós éramos os únicos do centro cirúrgico.

Nossa história felizmente acabou bem. O nenê nasceu muito bem, 24h após o horário da cesárea, a qual felizmente cabulamos, depois de ouvir os vaticínios do médico: “Seu filho não nascerá”.

Não sou médico e possivelmente as informações que coloquei aqui são muito discutíveis. Mas percebi que até mesmo para ter filho é preciso entender que estamos diante do fetiche do mercado, cuja lógica é a da produtividade, e portanto, cabe não acreditar de cara nas verdades científicas.

Para quem quer ter parto normal,  sugiro que se informe desde o início e tenha claro que nesse nosso sistema, não existe gente “meio” à favor de parto normal. Leve em conta também que pior do que uma cesárea é uma cesárea marcada, pois o simples fato de o nenê entrar em trabalho de parto já é garantia de muita coisa para ele.

Separei uns links aqui que talvez sejam úteis para quem quiser se informar:

http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?tool=pmcentrez&artid=1479438

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102001000200015

http://pph.a-little-wish.co.uk/media-articles/caesarean-mothers-triple-hysterectomy-risk-for-next-pregnancy.aspx

http://www.hospitaldocoracao.com.br/conteudo/noticia.php?tx=YToxOntzOjI6ImlkIjtzOjM6IjQ2NyI7fQ==

http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo086.shtml

Cana-de-açúcar modificada para vingar no cerrado

Posted in Brasil, meio ambiente on junho 30, 2009 by nitchka10

Li hoje nota no Valor sobre o “lançamento” de uma nova cana-de-açúcar adaptada para o cerrado brasileiro, conquista do Instituto Agronômico de Campinhas, e me lembrei das insistentes matérias de Washington Novaes sobre o mais ameaçado dos biomas. Me lembrei também do Aziz Ab’Saber –grande geógrafo e partidário de primeira hora do governo Lula– dizendo que esse governo optou pela ignorância total sobre assuntos regionais em favor de uma política desenvolvimentista nos moldes da ditadora. E com pesar chego a algumas conclusões:

1. a função do Brasil no capitalismo global é fornecer commodities. É assim que o Brasil está crescendo e é essa a “função” do país. (Veja matéria sobre os BRICs (TheEconomist)

2. qualquer governo, local ou regional, no fundo representa o interesse do crescimento (leia-se fetiche?), e dada a “especificidade brasileira”, seremos por um bom tempo, o país da Soja, da Cana-de-Açucar e do Petróleo. Não importam as idéias dos partidos, o que vale é a manutenção das forças econômicas. Nas palavras singelas da bancada ruralista: “um terço das riquezas do país vem do agronegócio“.

3. dito isso, qualquer debate sobre o meio-ambiente é mera encenação. E o Brasil está mesmo em rota de colisão com a biodiversidade.

4. definitivamente, odeio a palavra “sustentável”, que junta toda forma de economia utópica, com cremes de beleza, atividades pseudo-ecológicas para aliviar a culpa do cidadão (fechar a torneira, separar o plástico…), que ignora as regionalidades e apresenta-se como uma razão universal “do bem”, que evita a principal questão: o que é o crescimento econômico.

Literalmente, o fim da picada:

Com o aumento e o incentivo do governo brasileiro ao mercado de biocombustíveis, cresce também o cultivo da cana-de-açúcar no país. Segundo o ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza – o bioma que mais sofre os impactos da expansão da lavoura da cana é o cerrado.
Também considerado o segundo bioma mais ameaçado do Brasil, o aumento do cultivo da cana-de-açúcar em áreas consideradas prioritárias compromete a biodiversidade do cerrado e a produção de alimentos… [Fonte]

Comentário à controvérsia sobre o sumiço do cacau

Posted in Brasil, imprensa with tags , , on março 9, 2009 by nitchka10

Sophia deixou o seguinte comentário no blog no dia 14 de fevereiro acerca dos fatos e das acusações sobre a contaminação do cacau pelo fungo vassoura-de-bruxa, supostamente colocado por militantes de esquerda. Acho que vale a pena lê-lo e pensar a respeito.

Nunca foi provado nada, o único indicio que se tem é um ex militante arrependido e aposto com uma gorda conta bancaria patrocinada por grandes políticos do PFL/DEM… Estranha a confissão… 20 anos depois do prejuízo e às vésperas de uma campanha eleitoral a qual alias levou Wagner a cadeira de governador. Qual o credito de uma reportagem que se baseia num único testemunho altamente questionado e que é publicado nas paginas da VEJA às vésperas de uma eleição para presidente/governador praticamente ganhas pelo PT? De nada valeram os depoimentos pos reportagens de importantes pesquisadores da doença… e que afirmaram com todas as letras: a versão é mentirosa e embora não tenha sido descartada a introdução proposital ela jamais poderia ter acontecido como foi contado. São diversas a classes de fungos da vassoura de bruxa lá no pará e aqui so temos dois, a introdução proposital como foi relatado traria centenas de fungos e não somente duas espécies. Eu como historiador amador fiz uma pesquisa em jornais de ilheus, utilizei um jornal diário publicado em um período de aproximadamente 50 anos, o jornal era claro, meses antes de ser detectado a vasssoura: os produtores tinham hábitos de trazer terra, mudas de segundas fazendas que tinham no pará… Qualquer um que ler o diário de Ilhéus de 1986, 1987, 1988 e 1989 vai ver as centenas de pedidos para que parassem de trazer por que se a vassoura aqui chegasse arrasaria-nos… Bem poucos meses depois aqui estava a vassoura.

Olhando para outro lado… não diria exatamente que a vassoura foi algo ruim para a região… um amigo disse que substituíram uma praga (os fazendeiros) por outra (vassoura), pois eu digo que prefiro a segunda praga. Os coronéis do cacau tratavam a região com mãos de ferro, eram um poder paralelo destrutivo que só trazia atraso à região. Os lucros do cacau eram exportados para Salvador e aqui só ficavam as desgraças e a pobreza. Como enfrentar o dinheiro do cacau? Como enfrentar aqueles homens com jagunços? Não foi preciso!!! A ganância e os hábitos nada saudáveis trouxeram a vassoura para cá, destruindo a cultura do cacau e ao mesmo tempo permitindo que as cidades se dinamizassem. Hoje não haveria uma Ilheus urbana (ainda que pobre) se houvesse o cacau! Entre ser morador de periferia paupérrimo mas frequentando a escola, hospital, tendo água corrente e energia eletrica… e ser morador de uma fazenda de cacau vivendo em trabalho semiescravo, comprando tudo das mãos do coronel, morando de favor, morrendo nas mãos dos jagunços, sem escola (os filhos dos coroneis iam para salvador ou para fora), água corrente, saneamento e hospitais. Prefiro ser o favelado.

Lembro ainda que esse negócio da queda na área dos cacauais deve ser visto com ressalva. O cacau passa por crises cíclicas desde o inicio do século XX, é um produto por demais dependente do preço externo e este foi bastante impactado por outras plantações do mundo, a concorrência foi dolorosa para os fazendeiros e a vassoura-de-bruxa foi apenas o golpe final! Quanto a área diminuindo? Bem, até o fim do ano estarei publicando uma pesquisa que mostra que houve maior diminuição das áreas de cacauais nas décadas de 1970 e 1980 (substituidas por pastos) do que na década de 1990.

Outra coisa: cabruca não é mata! Cabruca conserva apenas parte dos extratos vegetais mas a diversidade é imensamente afetada bem como a estrutura florestal.

Espero que a publicação mencionada saia de fato e que se investigue essa história a fundo.

“Tarifa do Madrugador”, o que significa essa palhaçada?

Posted in Brasil, cidade, imprensa on março 9, 2009 by nitchka10

É lamentável o governo de São Paulo lançar uma campanha esdrúxula como esta e a imprensa reproduzir o discurso da assessoria de imprensa do Estado, sem nenhuma crítica. Será que ninguém parou para pensar que incentivar os trabalhadores a entrarem antes das 5h20 da manhã nos trêns é uma sacanagem? Será um benefício ou uma tentativa de atrair mais trabalhadores a aderirem um ritmo de trabalho completamente desumano.  Certo, os metrôs e trêns estão lotados, e portanto um “benefício” desses atende, na melhor das hipóteses, ao metrô. Mas, então, o negócio é induzir o depauperado que precisa economizar 30 centavos por dia (7 reais em 23 dias de trabalho) a acordar ainda mais cedo para vender a sua mão de obra? Mais uma ação do urbanismo de guerra social empregado pelo governo Serra em São Paulo.