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Cuidado com os ativismos boi-de-piranha!

Posted in documentários, imprensa, mídia with tags , , , on dezembro 18, 2008 by nitchka10
reciclando o quê?

reciclando o quê?

Acredito que cada um de nós tenha lá sua cota pessoal de reivindicação, revolta e ativismo. Mas em nosso tempo essa força interna e silenciosa foi sorrateiramente amainada por milhares de microcampanhas bois de piranha: acreditamos estarmos sendo corretos, éticos e até… ativistas, enquanto tudo não passa de uma palhaçada para nos mantermos afastados de qualquer crítica. Assim, o supermercado faz campanha para jogarmos o lixo na cestinha certa. A “reciclagem” cria um mito do eterno retorno do consumo, algo que qualquer estatístico de botequim sabe que não é factível. Enquanto isso, o Brasil se torna o maior reciclador do planeta, como pude ver num documentário da National Geografic, que esconde as condições miseráveis de vida de um carroceiro. Poucos sabem que boa parte dos trabalhadores da reciclagem são moradores de rua, que tem casa, mas dado o longo percurso, não conseguem voltar para os seus barracos e passam a viver na selva, convivendo com os “morcegões”.

Catadores de materiais recicláveis têm sido obrigados a pagar para trabalhar em São Paulo, tirar das ruas o que a maioria prefere jogar fora. Disputam com empresas, algumas fora da lei, cada naco de produto descartável que vire centavos de real. [Fonte Estado de São Paulo]

Outro boi de piranha são as campanhas antitabagistas, levadas a cabo pelo governo, como se se tratasse das melhores intenções para com os fumantes. E enquanto isso São Paulo, a cidade de onde tiro meu ar para viver, caminha para uma concentração de fumaça do tempo de Cubatão. Hoje, a qualidade do ar já é 4 vezes superior à recomendada pela Organização mundial de saúde. Vejam a matéria no Panóptico.

Outra apropriação terrível rolou com o vegetarianismo, que deveria ser uma das principais bandeiras contra o desmatamento e o aquecimento global. Basta ler o que o Washington Novaes, uma das vozes mais sensatas que escuto por aí, tem escrito nos jornais. O que deveria ser uma grande “causa”, virou política individual para regulação do intestino.

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Colóquio sobre M. Foucault

Posted in documentários, fatos, imprensa on outubro 20, 2008 by nitchka10

 

Fiquei sabendo que ocorrerá o V colóquio internacional M. Foucault na Unicamp. Longe de ser algo para especialistas (ou pensadores filisteus)parece ser esse uma grande oportunidade para ver como o pensamento nem sempre esteve entre esquerda, centro e direita. Abaixo trecho revelador de um texto do filósofo publicado no site. 

Por uma vida não-fascista:

Como liberar nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres do fascismo? Como expulsar o fascismo que está incrustado em nosso comportamento?

Essa arte de viver contrária a todas as formas de fascismo, que sejam elas já instaladas ou próximas de ser, é acompanhada de um certo número de princípios essenciais, que eu resumiria da seguinte maneira se eu devesse fazer desse grande livro um manual ou um guia da vida cotidiana:

  • Libere a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante;
  • Faça crescer a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, mais do que por subdivisão e hierarquização piramidal;
  • Libere-se das velhas categorias do Negativo (a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna), que o pensamento ocidental, por um longo tempo, sacralizou como forma do poder e modo de acesso à realidade. Prefira o que é positivo e múltiplo; a diferença à uniformidade; o fluxo às unidades; os agenciamentos móveis aos sistemas. Considere que o que é produtivo, não é sedentário, mas nômade;
  • Não imagine que seja preciso ser triste para ser militante, mesmo que a coisa que se combata seja abominável. É a ligação do desejo com a realidade (e não sua fuga, nas formas da representação) que possui uma força revolucionária;
  • Não utilize o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade; nem a ação política, para desacreditar um pensamento, como se ele fosse apenas pura especulação. Utilize a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política;
  • Não exija da ação política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo, tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é o produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação, o deslocamento e os diversos agenciamentos. O grupo não deve ser o laço orgânico que une os indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”;
  • Não se apaixone pelo poder [Fonte]
  • Foucault e Chomsky discutem a natureza do poder.

    Anarquismo americano

    Posted in anarquismo americano, documentários on julho 21, 2008 by nitchka10

    Há tanta bobagem sob o rótulo “anarquismo” e tanta coisa legal acontecendo recentemente sem que as pessoas façam qualquer relação com os movimentos sociais anarquistas anteriores, que a única saída que encontrei, como um pretenso anarquista amador, foi pensar na história do movimento. E que história! Ao ler a História da anarquia, de Max Nettlau, me impressionei muito com a luta entre as facções socialistas dentro da Internacional (AIT). Bem, a revolução russa começou a me parecer que não foi bem um acidente (desculpe a inocência, mas para um ex-comunista…). Mas o que mais me chamou atenção mesmo, na historia de Nettlau, foram os movimentos americanos. Isso mesmo. Curiosamente, o anarquismo me parecia tão francês ou, talvez, europeu, como o futebol é brasileiro. Mas a questão da liberdade foi muito mais bem colocada nos Estados Unidos do que em qualquer outro lugar, e bviamente, como os EUA são o inimigo number one, não sabemos de nada disso, e a tendência é ter raiva de quem sabe. A propósito, achei ontem, ao procurar alguma informação sobre Bookchin na internet, um incrível documentário de 1983, chamado Anarquism in America, produzido por Steven Fischler e Joel Sucher.

    Primeira parte: O que é anarquismo? Começo da entrevista com Murray Bookchin, anarquismo na Espanha…

    Segunda parte: Excelente entrevista com Karl Hess e imagens de Emma Goldman ao regressar para os EUA depois de um exílio de 14 anos.

    Terceira parte: Entrevista com Mollie Steimer e Murray Bookchin.

    Quarta parta