Archive for the imprensa Category

Direto de Teerã

Posted in imprensa, mídia with tags , on junho 21, 2009 by nitchka10

Há anos que não sabemos o que é um correspondente na mídia impressa. Mas de fato a notícia direta não é mais broadcast. Um grande exemplo disso é o blog do Pedro Dória.

Não, não acho que Mir Hossein Mousavi seja o melhor para o Irã. Quando foi premiê, muita gente foi fuzilada no país. Mas acredito que o grupo político que ele representa, dos reformistas, é melhor para os iranianos do que os conservadores, representados por Ahmadinejad. Sim, o ideal é que não exista ditadura. Só que entre uma ditadura que permite alguma liberdade individual no modelo chinês e outra que proíbe mulheres de entrarem num estádio de futebol ou apedreja quem faz sexo antes do casamento, fico com Mousavi contra Ahmadinejad.

Soube recentemente que a função de presidente no Irã é bastante dependente do conselho religioso, e portanto a eleição não mudaria os rumos da ditadura. Mas a briga nas ruas talvez demonstre a falta de consenso.

Quando fazia faculdade ainda, lembro-me de ter recebido pelo correio, sem remetente, uma edição da constituição do Irã, em português. Como não tenho iranianos na família, não estudo farsi, não sou muçulmano nem diplomata, acredito que tenha sido uma divulgação em massa. Alguém do governo queria provar que o Irã tem também uma constituição  à la française.

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A terceira onda da globalização

Posted in fatos, imprensa, meio ambiente on maio 27, 2009 by nitchka10
Cidade do Futuro

Cidade do Futuro

Globalizar é roubar. Com ou sem a ajuda dos Estados. Antes, os Estados coloniais invadiam, mas a manobra era cara e se optou pela economia aberta, em que os “agentes” se ajudam mutuamente. Mas com o advento do Estado-Corporação, o melhor negócio é abandonar a economia e deixar com que os próprios Estados se entendam, deixando que os ricos comprem imensas porções de terra das mãos de Estados pobres completamente ilegítimos.  Bem, tudo isto está na matéria do The Economist, “outsourcing’s third wave, que versa sobre fazendas gigantescas de até 700 mil hectares que países estão comprando, principalmente na África. Não sei o tamanho disso, mas diz na matéria, que as fazendas coloniais não passavam 100 mil hectares. Enfim, são países ricos e com pouca terra que querem garantir sobretudo a produção do agronegócio quando a água acabar. Os lugares preferidos: Camboja, Sudão, Mali, Moçambique… O que não se fala é que isto significa urbanização forçada em países depalperados. É o fim da cidade, que se tornará campo de refugiados.

Para um turismo on-line em campos de refugiados, ver também: http://millionsoulsaware.org/ ou http://www.unhcr.org/

Obama e a Chrysler

Posted in fatos, imprensa, meio ambiente on maio 1, 2009 by nitchka10

Obama deu hoje uma notícia ruim e uma boa, e usou a tradicional artimanha de compensar uma pela outra: A Chrysler quebrou, mas será vendida para a italiana Fiat e assim os americanos terão carros italianos pequenos e não poluentes, e trinta mil trabalhadores não perderão seus empregos. Nossa, que explicação pra boi dormir! A Fiat ensinará os americanos a fazer carros menores? É só essa a questão? E de tabela, farão isso sem sujar o planeta? Alguém se lembra que a Fiat esteve a beira de uma concordata, antes de quase ser comprada por outra grande montadora?  O governo dos EUA parece rever qual será a estratégia para manter sua hegemonia, sem controlar a indústria. Pelo pouco que sei a indústria automobilística foi fundamental para a economia americana até os anos 1990, quando a indústria de software assumiu a frente e mostrou que indústria não era só o que bastava. Mas abrir mão dela parece um movimento mais radical. O curioso é que a discussão sobre o meio ambiente é apenas uma fala vazia, de propaganda de guardanapo ou papel higiênico que propõe o reflorestamento de campos de margarida. Para qualquer governo não há saída sem a alteração das bases mais conservadoras da economia. O que os governos poderão fazer se alguns prognósticos sobre as mudanças climáticas estiverem corretas?

Comentário à controvérsia sobre o sumiço do cacau

Posted in Brasil, imprensa with tags , , on março 9, 2009 by nitchka10

Sophia deixou o seguinte comentário no blog no dia 14 de fevereiro acerca dos fatos e das acusações sobre a contaminação do cacau pelo fungo vassoura-de-bruxa, supostamente colocado por militantes de esquerda. Acho que vale a pena lê-lo e pensar a respeito.

Nunca foi provado nada, o único indicio que se tem é um ex militante arrependido e aposto com uma gorda conta bancaria patrocinada por grandes políticos do PFL/DEM… Estranha a confissão… 20 anos depois do prejuízo e às vésperas de uma campanha eleitoral a qual alias levou Wagner a cadeira de governador. Qual o credito de uma reportagem que se baseia num único testemunho altamente questionado e que é publicado nas paginas da VEJA às vésperas de uma eleição para presidente/governador praticamente ganhas pelo PT? De nada valeram os depoimentos pos reportagens de importantes pesquisadores da doença… e que afirmaram com todas as letras: a versão é mentirosa e embora não tenha sido descartada a introdução proposital ela jamais poderia ter acontecido como foi contado. São diversas a classes de fungos da vassoura de bruxa lá no pará e aqui so temos dois, a introdução proposital como foi relatado traria centenas de fungos e não somente duas espécies. Eu como historiador amador fiz uma pesquisa em jornais de ilheus, utilizei um jornal diário publicado em um período de aproximadamente 50 anos, o jornal era claro, meses antes de ser detectado a vasssoura: os produtores tinham hábitos de trazer terra, mudas de segundas fazendas que tinham no pará… Qualquer um que ler o diário de Ilhéus de 1986, 1987, 1988 e 1989 vai ver as centenas de pedidos para que parassem de trazer por que se a vassoura aqui chegasse arrasaria-nos… Bem poucos meses depois aqui estava a vassoura.

Olhando para outro lado… não diria exatamente que a vassoura foi algo ruim para a região… um amigo disse que substituíram uma praga (os fazendeiros) por outra (vassoura), pois eu digo que prefiro a segunda praga. Os coronéis do cacau tratavam a região com mãos de ferro, eram um poder paralelo destrutivo que só trazia atraso à região. Os lucros do cacau eram exportados para Salvador e aqui só ficavam as desgraças e a pobreza. Como enfrentar o dinheiro do cacau? Como enfrentar aqueles homens com jagunços? Não foi preciso!!! A ganância e os hábitos nada saudáveis trouxeram a vassoura para cá, destruindo a cultura do cacau e ao mesmo tempo permitindo que as cidades se dinamizassem. Hoje não haveria uma Ilheus urbana (ainda que pobre) se houvesse o cacau! Entre ser morador de periferia paupérrimo mas frequentando a escola, hospital, tendo água corrente e energia eletrica… e ser morador de uma fazenda de cacau vivendo em trabalho semiescravo, comprando tudo das mãos do coronel, morando de favor, morrendo nas mãos dos jagunços, sem escola (os filhos dos coroneis iam para salvador ou para fora), água corrente, saneamento e hospitais. Prefiro ser o favelado.

Lembro ainda que esse negócio da queda na área dos cacauais deve ser visto com ressalva. O cacau passa por crises cíclicas desde o inicio do século XX, é um produto por demais dependente do preço externo e este foi bastante impactado por outras plantações do mundo, a concorrência foi dolorosa para os fazendeiros e a vassoura-de-bruxa foi apenas o golpe final! Quanto a área diminuindo? Bem, até o fim do ano estarei publicando uma pesquisa que mostra que houve maior diminuição das áreas de cacauais nas décadas de 1970 e 1980 (substituidas por pastos) do que na década de 1990.

Outra coisa: cabruca não é mata! Cabruca conserva apenas parte dos extratos vegetais mas a diversidade é imensamente afetada bem como a estrutura florestal.

Espero que a publicação mencionada saia de fato e que se investigue essa história a fundo.

“Tarifa do Madrugador”, o que significa essa palhaçada?

Posted in Brasil, cidade, imprensa on março 9, 2009 by nitchka10

É lamentável o governo de São Paulo lançar uma campanha esdrúxula como esta e a imprensa reproduzir o discurso da assessoria de imprensa do Estado, sem nenhuma crítica. Será que ninguém parou para pensar que incentivar os trabalhadores a entrarem antes das 5h20 da manhã nos trêns é uma sacanagem? Será um benefício ou uma tentativa de atrair mais trabalhadores a aderirem um ritmo de trabalho completamente desumano.  Certo, os metrôs e trêns estão lotados, e portanto um “benefício” desses atende, na melhor das hipóteses, ao metrô. Mas, então, o negócio é induzir o depauperado que precisa economizar 30 centavos por dia (7 reais em 23 dias de trabalho) a acordar ainda mais cedo para vender a sua mão de obra? Mais uma ação do urbanismo de guerra social empregado pelo governo Serra em São Paulo.

A crise como maquiagem: a GM e a Chrysler vão quebrar?

Posted in imprensa, tecnologia with tags , on dezembro 28, 2008 by nitchka10
Dont chrysler for me Argentina

Don't chrysler for me Argentina

Desde que a tal crise começou eu tive duas sensações: uma de euforia, porque afinal diziam: o capitalismo vai mudar, o capitalismo está acabando e algo vai aparecer (sorry, estamos sujeitos ao messianismo). A segunda sensação, talvez mais interessante, foi a de que… — espere aí, esta crise justificará qualquer coisa!

Não me engano, a crise é de fato real e chegou com força. Mas o que me preocupa são as ações coordenadas entre o Estado e as grandes corporações. Quando li a primeira matéria sobre a suposta quebra da GM, lembrei-me de um artigo que li há alguns anos, em que se comparavam os lucros da GM e da Microsoft. A primeira faturava mais no bruto, mas por causa dos salários, ela não alcançava nem de longe os lucros da segunda. Curiosamente, a matéria que caiu agora nas minhas mãos apresenta um infográfico com uma curva ascendente pipocada de ícones da empresa, e uma curva descendente que começa com a foto de uma greve. Ah! como entendi o sentido das palavras na imagem: A GM passou a não ser mais competitiva quando os trabalhadores conseguiram algumas conquistas durante a década de 1990.

A GM era mais real, e menos lucrativa. É duro dizer: a GM não cabe nesse mundo em que bilhões de braços podem trabalhar por menos. Ela tem de se adaptar, e se não quebrar, no mínimo, vai fechar as suas fábricas e se mudar para a China, com auxílio do governo americano e em detrimento da massa de mão-de-obra cara, que deixa de ganhar salários altos e perde ainda as ações que tinha como poupança.

Mas e se a GM ou a Chrysler quebrar? Bom, o efeito será um pouco mais devastador, porque muitas empresas quebrarão junto com elas, mas o efeito, no final, será o mesmo: uma empresa do terceiro mundo, chinesa provavelmente, vai assumir o negócio.

A Chrysler no Brasil

Lembrem-se que o core de uma indústria automobilística é o motor. Foi a falta de um motor próprio que quebrou, por exemplo, o Gurgel e inviabilizou uma indústria brasileira. Enfim, não tenho certeza dos fatos, mas lembro que a DaimlerChrysler abriu uma fábrica no Brasil, e logo acertou de vendê-la para uma empresa estatal chinesa. Para quem não recorda, essa foi a fábrica que levou a uma guerra entre alguns governadores brasileiros, para ver quem dava mais isenção fiscal para “fazer a região crescer”.

Enfim, não é preciso ser um grande estrategista russo para se perguntar: por que raios os americanos entregam uma fábrica de motores para uma empresa chinesa? Teoria da conspiração? Acho que não. Apenas uma nova lógica de mercado, em que as forças das corporações transcendem não só o Estados nacionais, mas seus próprios nomes, em função de uma otimização do capital para a exploração de mão-de-obra e desmobilização do Estado de bem estar.

Essa lógica da otimização tomou obviamente o Estado, mas não da forma que a imprensa coloca: rios de dinheiro para salvar o capitalismo. O que não consegui entender lendo quilômetros de págians, um gerente do Citibank me explicou em duas palavras: “as ações do Citigroup valiam 19 e cairam para 6. O governo americano comprou 20 bilhões em ações, porque sabe que elas também vão valorizar”. Enfim, é óbvio que não é o caso de comparar este valor com o que poderia ter sido gasto com crianças na África, mas sim, de entender como a razão do capital internacional se tornou lógica para os Estados nacionais. Não se trata de jogatina, como diz Lula para os alfaces-espectadores, mas sim de pura lógica em funcionamento, razão prática além de qualquer política.

Dúvidas

Parece que e DaimlerChrysler vendeu para um fundo de investimento chamado Cerberus uma das suas maiores fábricas. Seria interessante saber o que este fundo fez com ela.

Outra questão que gostaria de saber: a Volvo fechou fábricas na Suécia? Ouvi rumores, mas não consegui confirmar.

Cuidado com os ativismos boi-de-piranha!

Posted in documentários, imprensa, mídia with tags , , , on dezembro 18, 2008 by nitchka10
reciclando o quê?

reciclando o quê?

Acredito que cada um de nós tenha lá sua cota pessoal de reivindicação, revolta e ativismo. Mas em nosso tempo essa força interna e silenciosa foi sorrateiramente amainada por milhares de microcampanhas bois de piranha: acreditamos estarmos sendo corretos, éticos e até… ativistas, enquanto tudo não passa de uma palhaçada para nos mantermos afastados de qualquer crítica. Assim, o supermercado faz campanha para jogarmos o lixo na cestinha certa. A “reciclagem” cria um mito do eterno retorno do consumo, algo que qualquer estatístico de botequim sabe que não é factível. Enquanto isso, o Brasil se torna o maior reciclador do planeta, como pude ver num documentário da National Geografic, que esconde as condições miseráveis de vida de um carroceiro. Poucos sabem que boa parte dos trabalhadores da reciclagem são moradores de rua, que tem casa, mas dado o longo percurso, não conseguem voltar para os seus barracos e passam a viver na selva, convivendo com os “morcegões”.

Catadores de materiais recicláveis têm sido obrigados a pagar para trabalhar em São Paulo, tirar das ruas o que a maioria prefere jogar fora. Disputam com empresas, algumas fora da lei, cada naco de produto descartável que vire centavos de real. [Fonte Estado de São Paulo]

Outro boi de piranha são as campanhas antitabagistas, levadas a cabo pelo governo, como se se tratasse das melhores intenções para com os fumantes. E enquanto isso São Paulo, a cidade de onde tiro meu ar para viver, caminha para uma concentração de fumaça do tempo de Cubatão. Hoje, a qualidade do ar já é 4 vezes superior à recomendada pela Organização mundial de saúde. Vejam a matéria no Panóptico.

Outra apropriação terrível rolou com o vegetarianismo, que deveria ser uma das principais bandeiras contra o desmatamento e o aquecimento global. Basta ler o que o Washington Novaes, uma das vozes mais sensatas que escuto por aí, tem escrito nos jornais. O que deveria ser uma grande “causa”, virou política individual para regulação do intestino.