Archive for the Índios Category

Alerta: H1N1 em comunidade Ianomami na Venezuela

Posted in Índios, Brasil, fatos on novembro 4, 2009 by nitchka10

O Instituto Sócio-ambiental já noticiou: há uma epidemia do vírus H1N1 entre os Ianomami da Venezuela, com número de mortos confirmado e centenas de pessoas com sintomas. O Helder Ferreira, linguista que conhece bem a área dos ianomami no Brasil diz:

Os casos já são oficiais. A venezuela notificou segunda feira a OMS sobre 7 mortes e outros 15 casos. Falam de 400 até 1000 pessoas com sintomas (segundo organizações venezolanas e com base em relatos dos yanomami; os relatos estão chegando em Boa Vista também). No Brasil a FUNASA diz que os yanomami no Brasil não tem nada  a temer, que está tudo sobre controle, como se eles tivessem alguma poção mágica. O Brasil não tem vacinas ainda e mesmo se tivesse ninguem sabe ao certo qual seria o impacto da vacinação em populacões indígenas (se seria perigosa ou não, há diversos casos de vacinação contra outras doenças que foi a vacinacão letal para  pessoas indígenas…)

Até agora a mídia não deu nada.

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Índios, fronteiras, floresta, militares, água…

Posted in Índios, Brasil on julho 25, 2008 by nitchka10

Terra indígena terá base militar nas fronteiras
O Exército terá de instalar, obrigatoriamente, bases militares em terras indígenas em zona de fronteira. É o que determina o Decreto 6.513, publicado ontem no Diário da União. Decreto de 2002 já tratava do assunto, mas a diferença agora é a obrigatoriedade. O Ministério da Defesa apresenta em 90 dias o plano para instalar as bases – OESP, 24/7, Nacional, p.A11.

Acabo de receber a notícia pela mala direta do Instituto Sócio Ambiental, excelente resumo diário de questões sobre o meio ambiente.

É incrível a intromissão do Estado onde ele realmente não é chamado. Assistimos a ressurreição de um velho mito bem brasileiro:

  1. índio não é brasileiro e pode ser cooptado por forças ocultas ou estrangeiras, que querem se apossar do território nacional (Sobre isso vale o vídeo com a Orlando Vilas Boas);
  2. índio precisa ser protegido;
  3. as fronteiras precisam ser bem guardadas para evitar o transpasse de moambeiros, traficantes, marginais, garimpeiros, gente do mal.

Os militares e o “desenvolvimento” da floresta

Reproduzo aqui embaixo dois bons artigos sobre o assunto. Mas independente do índio, é preciso pensar no militar. Não conheço nada sobre a atuação dos militares na floresta atualmente, a não ser aquelas imagens ridículas do Globo Reporter, que mostram onças amestradas recebendo carinho de homens uniformizados. Vai saber, de repente a vida deles por lá é outra coisa… Mas, enfim, dado o que foi a política desenvolvimentista dos anos de chumbo, diria que a política militar para as áreas de floresta não é muito sensível. Eles sempre pensaram em megaprojetos para regiões muito vastas, cruzaram com a famigerada Transamazônica terras diversas e por fim abriram caminho para a exploração desenfreada do solo, sem nenhum planejamento, com a única justificativa de que a terra tinha de ser ocupada. Recomendo o maravilhoso livro do Aziz Ab’Saber, Amazônia: da teoria a praxis. Depois da leitura, percebi que não é possível fazer política com foto de satélite e helicóptero, mas sim com a descrição detalhada do campo. Aziz propõe a divisão da Amazônia em 23 macroregiões, conforme as diversidades econômicas e ecológicas, e principalmente, conforme a natureza dos conflitos. Insiste que não há fronteira agrícola e que o principal agente instrutor para um processo de exploração racional do solo é o agrônomo. Enfim, há também uma carta aberta ao presidente Lula… não fica difícil entender porque ele logo retirou seu apoio ao governo lula-agrário.

Mais uma vez, os anarquistas estão certos. Só é possível um desenvolvimento local, descentralizado. O nacionalismo é só mais uma forma de centralidade, ideologia barata que serve para os interesses de quem é dono do microfone, seja na “base política” local, como os arrozeiros de Roraima, ou a comunidade de deputados de Brasília.

Em tempo: para um ambientalista amador vale a pena a revista USP, número 70, cujo tema é a água, em especial o artigo “Nossas águas: uma reflexão cotidiana”. A autora, Eni Cardoso Tolle, química que estudou as águas límpidas dos estuários da Ilha Anchieta, fala sobre como os índios têm seus mananciais, fala do tratado do latino Vitrúvio, em que já estão previstos vários cuidados com a água, e termina em algo muito próximo da comunidade acadêmica: os córregos que encerram a Universidade de São Paulo e a represa Guarapiranga. Onde está o Estado? Está passando arame-farpado na fronteira…

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