Archive for the mídia Category

Poder para enganar e ser enganado

Posted in mídia, meio ambiente on dezembro 31, 2009 by nitchka10

 

Tá pensando o quê?

Tá pensando o quê?

 

O ser humano tem mesmo uma capacidade infinita de enganar e ser enganado. Certa vez, a bispa de uma igreja que não queremos lembrar o nome sorteou um carro para os fiéis e adivinhem quem ganhou… Ela! Nada mal, não fosse ela dizer que tinha sido o próprio Deus que viu nela a graça alcançada. Nada de sorte; predestinação.

As últimas enganações do mês não são nada menores. Tenho visto na TV, no horário da novela, a propaganda do governo do Estado sobre a reforma da marginal.  “São Paulo vai andar e respirar melhor”. Algo estranho… Derrubaram milhares de árvores, deformaram o desenho do plano Ulhôa Cintra contra a lei, provavelmente numa de depois a gente vê, e para compensar a atitude contra as leis da física que preveem que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, plantaram árvores em outro lugar. Como no caso da bispa, até aí estamos no jogo político de cativação da abandonada classe média motorizada e imóvel no trânsito. Mas ontem li no jornal Valor que o PSDB decidiu investir em obras estruturais de transporte como um programa social. “As pessoas vão chegar mais cedo em casa, ter mais tempo de ficar com a família”, declara um paspalho qualquer do partido. Incluindo as obras do metrô, atrasadas há no mínimo uma década, o entimema ainda não faz sentido, porque medidas sociais incluem transferência de renda e não transferência de corpos pela cidade. E pelo que sei, as passagens vão subir.

Na versão da prefeitura, ainda mais aterrorizante, as árvores justificatórias são trocadas por moradias: “A proposta é de requalificação de toda a área, o que envolve a construção de 10 mil moradias e um túnel que fará a ligação da avenida com a rodovia dos Imigrantes.” [Fonte] Para quem quiser entender melhor a operação, sugiro a leitura  do último posto do Ecologia Urbana.

Enfim, mas a capacidade de enganar e ser enganado não é privilégio de São Paulo. Recentemente o ministro do meio ambiente e o presidente Lula declararam um estabelecimento de metas para o controle de emissão de carbono. Fala-se em redução do desmatamento da Amazônia em 80% e do cerrado, 40%. Mas não é na “franja agrícola”, entre o cerrado e o território amazônico que estão os principais focos de emissão? E o bioma do cerrado foi oficialmente legado à soja? Bom, a única coisa que justifica isso é que a amazônia tem um apelo, digamos, mais roliudeano. O duro é constatar que até mesmo a questão do aquecimento global seja talvez uma rifa-de-bispa…

A discussão das causas do aquecimento global também desviam o assunto em pelo menos dois sentidos preocupantes. O primeiro, refere-se ao não combate à vulnerabilidade das populações aos efeitos das mudanças climáticas (já que o aquecimento global, atropogênico ou não, é um fato consumado). O outro é bater na tecla do aquecimento e esquecer-se por completo das questões toxicológicas das emissões industriais. Ao invés de discutir-se tais aspectos, o que observa-se é uma verdadeira guerra de “egos”, onde as duas vertentes preferem ficar discutindo quem está com a razão do que tomar medidas realmente efetivas.

Outras questões também podem ser colocadas, uma delas é o caso Amazônia. A mídia e os políticos desviam toda a atenção para o “pulmão do mundo” enquanto o cerrado, aí no Centro Oeste, é devastado sem dó nem piedade. A Mata Atlântica então coitada, é melhor nem comentar. E Norman Myers há algum tempo já definia esses dois ecossistemas como hotspots (áreas de conservação e preseração prioritárias). E a questão do saneamento básico? Os lixões continuam aí pelo país. Órgãos ambientais estaduais e federais se gabam por implantarem aterros “controlados”(que nada mais são que enterros de lixo, uma vez que o tratamento de efluentes não existe nesse tipo de aterro). Tratamento de esgoto efetivo está longe de ser uma realidade na maior parte dos municípios.  [Carlos Pacheco, Fonte]

Mas como estamos no plano das verossimilhanças e não das verdades, que é o da política e também da enganação, gostaria de lembrar outro episódio in-crível. Lembro-me de um dos últimos gestos da então ministra Marina Silva, um voo panorâmico de helicóptero junto com autoridades, para fazer o reconhecimento do avanço da fronteira agrícola. Digamos, as fotos de satélite do Google ou da Embrapa talvez sejam mais apropriadas. Achei um vídeo da ex-ministra explicando a operação aqui.

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Direto de Teerã

Posted in imprensa, mídia with tags , on junho 21, 2009 by nitchka10

Há anos que não sabemos o que é um correspondente na mídia impressa. Mas de fato a notícia direta não é mais broadcast. Um grande exemplo disso é o blog do Pedro Dória.

Não, não acho que Mir Hossein Mousavi seja o melhor para o Irã. Quando foi premiê, muita gente foi fuzilada no país. Mas acredito que o grupo político que ele representa, dos reformistas, é melhor para os iranianos do que os conservadores, representados por Ahmadinejad. Sim, o ideal é que não exista ditadura. Só que entre uma ditadura que permite alguma liberdade individual no modelo chinês e outra que proíbe mulheres de entrarem num estádio de futebol ou apedreja quem faz sexo antes do casamento, fico com Mousavi contra Ahmadinejad.

Soube recentemente que a função de presidente no Irã é bastante dependente do conselho religioso, e portanto a eleição não mudaria os rumos da ditadura. Mas a briga nas ruas talvez demonstre a falta de consenso.

Quando fazia faculdade ainda, lembro-me de ter recebido pelo correio, sem remetente, uma edição da constituição do Irã, em português. Como não tenho iranianos na família, não estudo farsi, não sou muçulmano nem diplomata, acredito que tenha sido uma divulgação em massa. Alguém do governo queria provar que o Irã tem também uma constituição  à la française.

Cuidado com os ativismos boi-de-piranha!

Posted in documentários, imprensa, mídia with tags , , , on dezembro 18, 2008 by nitchka10
reciclando o quê?

reciclando o quê?

Acredito que cada um de nós tenha lá sua cota pessoal de reivindicação, revolta e ativismo. Mas em nosso tempo essa força interna e silenciosa foi sorrateiramente amainada por milhares de microcampanhas bois de piranha: acreditamos estarmos sendo corretos, éticos e até… ativistas, enquanto tudo não passa de uma palhaçada para nos mantermos afastados de qualquer crítica. Assim, o supermercado faz campanha para jogarmos o lixo na cestinha certa. A “reciclagem” cria um mito do eterno retorno do consumo, algo que qualquer estatístico de botequim sabe que não é factível. Enquanto isso, o Brasil se torna o maior reciclador do planeta, como pude ver num documentário da National Geografic, que esconde as condições miseráveis de vida de um carroceiro. Poucos sabem que boa parte dos trabalhadores da reciclagem são moradores de rua, que tem casa, mas dado o longo percurso, não conseguem voltar para os seus barracos e passam a viver na selva, convivendo com os “morcegões”.

Catadores de materiais recicláveis têm sido obrigados a pagar para trabalhar em São Paulo, tirar das ruas o que a maioria prefere jogar fora. Disputam com empresas, algumas fora da lei, cada naco de produto descartável que vire centavos de real. [Fonte Estado de São Paulo]

Outro boi de piranha são as campanhas antitabagistas, levadas a cabo pelo governo, como se se tratasse das melhores intenções para com os fumantes. E enquanto isso São Paulo, a cidade de onde tiro meu ar para viver, caminha para uma concentração de fumaça do tempo de Cubatão. Hoje, a qualidade do ar já é 4 vezes superior à recomendada pela Organização mundial de saúde. Vejam a matéria no Panóptico.

Outra apropriação terrível rolou com o vegetarianismo, que deveria ser uma das principais bandeiras contra o desmatamento e o aquecimento global. Basta ler o que o Washington Novaes, uma das vozes mais sensatas que escuto por aí, tem escrito nos jornais. O que deveria ser uma grande “causa”, virou política individual para regulação do intestino.

Centro de Mídia Independente… não seria o caso de matar a Rê Bordosa?

Posted in anarquismo americano, cidade, imprensa, mídia, movimentos, tecnologia with tags on novembro 23, 2008 by nitchka10
Rê Bordosa

Rê Bordosa

Uma vez entrei no site italiano do Centro de Mídia Independente e me dei de cara com uma mensagem do tipo “fechado pra balanço”. Tentei de toda forma saber o que tinha acontecido, e a única explicação que encontrei na época é que o site tinha perdido o sentido e os organizadores resolveram, como Angeli, matar a Rê Bordosa. Enfim, aprendi há algum tempo a não ter apego às “conquistas” e simplesmente arquivei o caso. Coisas legais são mesmo provisórias e esta é talvez a maior lição do anarquismo do século XIX. Passeando pelos CMIs do mundo percebo duas linhas: ou o vazio completo, como CMI russo, que publicou exatamente 12 posts para o ano de 2008, ou o de Kansas City, que parou em janeiro de 2007, e Índia e Portugal que estão fora do ar! Ou uma enxurrada de notícias sobre o movimento universitário, pura agenda das ações de organizações muitas vezes partidárias. Vejam, nada contra os estudantes, que devem se organizar. Mas da forma como estão sendo publicados os “gritos pela liberdade”, está difícil distinguir anarquistas de trotskistas tresloucados pelo poder. Além disso, os coletivos perderam totalmente a relação com os leitores, e a tradicional coluna da direita passou a ser uma terra de ninguém, sem debate algum, mero descarrego dos leitores que não são ouvidos pelos organizadores do CMI, enfim, particularmente a coisa mais interessante do site agora. Salvam-se –é verdade– a pauta sobre os passes livres. A impressão grosseira que tenho é que os movimentos sociais mais partidários tomaram conta e “oficializam” o espaço livre. Talvez valha a pena ser mais federalista e acabar com esses sites nacionais, pois os CMIs locais, como o da Bielo-Rússia, ou os americanos, como o de Chicago e Nova York me parecem mais fortes. Uma boa idéia seria reunir o melhor dos CMIs num site de tradução voluntária. Enfim, acho que é preciso mesmo uma Fênix-Rê Bordosa.

“O combate entre os policiais de São Paulo” ou “Goebbels assiste a um filme de Eisenstein”

Posted in Brasil, mídia on outubro 18, 2008 by nitchka10

Quando há confusão, o Estado chama a polícia, que desce o porrete na população. Mas e quando a polícia decide fazer greve? No Brasil, chama-se a outra polícia, que dissolve a massa em meros indivíduos. O político então abre a boca e emprega a dialética do microfone, gritando pela mídia que antes do mais, tudo não passa de intriga, de difamação, de uso político (ver Goebbels). A imprensa divulga uma bandeirinha de sindicato e algumas imagens de sangue, agradando os que querem espetáculo e uma explicação rápida. Não achei muita informação na internet, apenas reportagens da TV aberta. Num tiroteio como esse, o negócio é assistir as imagens da pancadaria e um bom filme do Eisenstein, greve, (1924).

Fica a pergunta: policial civil, quando dissolvido, é o quê? Policial, cidadão, civil, gente, bicho ou tábua de tiro ao alvo? [Mais fontes: Folha, Tudo agora (Ver a matéria do jornal nacional)]