Archive for the saúde Category

Descaso com o lixo em São Paulo mata mas ninguém vê

Posted in Brasil, cidade, fatos, meio ambiente, saúde on outubro 8, 2009 by nitchka10
É isso aí

É isso aí

Nesta semana recebi a notícia, meio que de penetra na conversa do porteiro com uma moradora, da morte de um dos faxineiros do prédio, o edifício Copan. Parece que o funcionário, que certamente conheci mas que a memória classista não me deixa lembrar, morreu de leptospirose. A doença foi diagnosticada tarde demais e o rapaz morreu em quatro dias. Uma semana depois associei o fato a uma barbárie que esta prefeitura maldita decidiu fazer: há pouco mais de três semanas todos os prédios da região são obrigados a colocar seu lixo na calçada. Imagine então o lixo de um prédio de 5 mil pessoas diariamente exposto em plena av. Ipiranga, diante de um dos cartões-postais da cidade. Associado a outro programa governamental de dizimação, chamado Nova Luz, responsável por um guenta geral em todos os moradores de rua, temos agora algumas toneladas de lixo que chegam a três metros de altura sendo revolvidas por uma pequena comunidade de zumbis deslocados. Nada me tira da cabeça que o nosso faxineiro, conhecido somente como Zé, enterrado em Alagoas, morreu mesmo por ter que carregar algumas centenas de sacos plásticos. Sim, é impossível afirmar isso com certeza, já que a leptospirose é uma doença transmitida por animais principalmente em vias aquosas. Mas que venham os turistas visitar o centro da cidade de São Paulo, com seus antigos espaços verdadeiramente públicos, as suas calçadas largas, totalmente desfiguradas por governantes incapazes de fazer talvez a mais básica das funções de uma prefeitura: recolher lixo. Talvez eles já tenham terceirizado o serviço para a turma da reciclagem, que agora ronda as cidades catando o que for, fazendo algo totalmente indigno, algo pelo que seguramente já pagamos. Realmente oz governoz não passam de péssimos síndicos, que jamais vão mudar nada, e mesmo como simples administradores de uma pequena fração pública, continuam a brincar de fazer planilhas e excluir e matar gente.

Em tempo: Washington Novaes alerta para o problema do lixo no mundo

Prefeitura corta verba e lixo se acumula nas ruas de São Paulo

Anúncios

Parto normal ou cesárea?

Posted in Brasil, saúde on agosto 15, 2009 by nitchka10

“Quando você vai ter um filho, a melhor coisa é procurar um médico de confiança.” Bom, sinto dizer, mas isso não é suficiente. Um médico nunca joga sozinho. Ele é parte de um sistema complexo de forças, e é preciso levar em conta as empresas seguradoras, os hospitais, laboratórios e empresas farmacêuticas. No caso dos obstetras, essa distorção se traduz no número de cesáreas desnecessárias praticadas no país. O Brasil é campeão na área. Na rede privada, parece que 95% dos partos são cirúrgicos. Na rede pública, a coisa chega “somente” a 30%. Pelo que li por aí, a Organização Mundial de Saúde recomenda que o procedimento não passe de 15%. Mar por que isso? As ceráreas são indicadas apenas para alguns casos de complicação, quando o nenê por exemplo “não virou”, quando ele é descomunal, quando a mãe é hipertensa etc. etc.

A maioria das cesarianas são realizadas por progressão lenta do trabalho de parto. Dentre outras indicações temos também o sofrimento fetal agudo, as desproporções entre o tamanho do feto e da bacia óssea materna, placenta prévia, lesão por herpes ativa no momento do trabalho de parto, prolapso de cordão, feto em posição anômala, falha de indução quando se há indicação de interrupção de gravidez. [Fonte]

Os médicos sabem bem disso, mas eles ganham pouco dos seguros para fazer os partos normais, que podem durar até 24 horas. Além disso, têm uma vida dupla, pulando do hospital para o consultório, e tal regime inviabilizaria a agende deles. Nada mais “normal” do que enfileirar as mulheres na parte da manhã, em cirurgias marcadas, para facilitar a vida de todo mundo. O problema é que a mulher demora 30 dias para se recuperar de uma cesárea, tem 11 vezes mais chance de pegar uma infecção hospitalar, três vezes mais chance de morte[fonte], e o nenê, pasme, corre muito mais riscos de ter problemas respiratórios. Enfim, não é preciso ser médico para perceber que cortar 7 tecidos é mais invasivo que deixar o bebê sair por um canal existente. Minha tristeza foi perceber que nosso “médico de confiança” fez todo discurso pelo parto normal, e numa bela tarde marcou a operação. Daí então começaram as lendas urbanas:

“Você não vai entrar em trabalho de parto.” Bom, na autoridade de fã do Animal Planet posso falar que nunca vi um programa sobre prenhas entaladas.

“Mas se você deixar, o nenê poderá ter sofrimento fetal.” Sofrimento fetal se detecta pelo batimento cardíaco do nenê. E dá para escutar o batimento até com um copo.

“O nenê poderá comer o mecônio.” “Ai, meu filho vai comer cocô e apodrecer!” Bom, lembre-se que o líquido aminiótico é xixi de nenê, e se ele estiver bem (com batimento cardíaco regular) ele engole qualquer coisa, digere e manda pra fora. O problema é mecônio associado ao sofrimento fetal, porque nesses casos o nenê pode aspirar o mecônio e ter complicações respiratórias no pós-parto. Mas o duro de ouvir é que, se ele estiver em sofrimento fetal, uma cesárea só aumenta o risco de ele aspirar o mecônio.

“O nenê passou do ponto.” Caramba, quantas semanas pode ter uma gestação? Pelo que vi, o termo são 40 semanas e são possíveis mais duas sem grandes riscos.

Há um bocado de outras coisas, como “dores mortais do parto”, “parto normal é impossível para mãe que já fez uma cesárea”, “a maldição do fórceps”…

Depois de tanta pressão psicológica foi difícil encararmos a situação e decidir mudar de médico praticamente no dia do parto. Foi quando me perguntei: como funciona nos países onde o parto normal é realmente normal? Nesses lugares o trabalho do pré-natal e o do nascimento são coisas bem distintas, executadas por profissionais diferentes, pois seria impossível conciliar as jornadas de trabalho. No desespero, caímos no Gama, singela contrarreação ao sistema das cesáreas. Lá nos informaram que nem todo hospital gosta de parto normal. E infelizmente, para garantir, o melhor seria levar a equipe toda, médico, obstetriz, anestesista e… até um pediatra, porque os procedimentos são muito diferentes. Dito e feito: o nenê resolveu nascer às 22h e quando chegamos ao hospital, a tranquilidade era tanta que estranhei. “A maioria das mães têm filho até às 18h horas”, me disse a enfermeira. E nós éramos os únicos do centro cirúrgico.

Nossa história felizmente acabou bem. O nenê nasceu muito bem, 24h após o horário da cesárea, a qual felizmente cabulamos, depois de ouvir os vaticínios do médico: “Seu filho não nascerá”.

Não sou médico e possivelmente as informações que coloquei aqui são muito discutíveis. Mas percebi que até mesmo para ter filho é preciso entender que estamos diante do fetiche do mercado, cuja lógica é a da produtividade, e portanto, cabe não acreditar de cara nas verdades científicas.

Para quem quer ter parto normal,  sugiro que se informe desde o início e tenha claro que nesse nosso sistema, não existe gente “meio” à favor de parto normal. Leve em conta também que pior do que uma cesárea é uma cesárea marcada, pois o simples fato de o nenê entrar em trabalho de parto já é garantia de muita coisa para ele.

Separei uns links aqui que talvez sejam úteis para quem quiser se informar:

http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?tool=pmcentrez&artid=1479438

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102001000200015

http://pph.a-little-wish.co.uk/media-articles/caesarean-mothers-triple-hysterectomy-risk-for-next-pregnancy.aspx

http://www.hospitaldocoracao.com.br/conteudo/noticia.php?tx=YToxOntzOjI6ImlkIjtzOjM6IjQ2NyI7fQ==

http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo086.shtml