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ADEUS, GENERAL MOTORS POR MICHAEL MOORE

Posted in cidade, tecnologia with tags on junho 13, 2009 by nitchka10

Tradução do original em :
http://www.huffingtonpost.com/michael-moore/goodbye-gm_b_209603.html%5B1%5D

Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors.
Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá
oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado
ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado
por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM
e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão
abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma
cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se
sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência
programada” – a decisão de construir carros que se destroem em
poucos anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se
tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que
o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e
seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A
GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação
ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram
os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam
se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda
lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de
empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto
prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros
recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México
e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de
trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao
eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram
também uma parte dos compradores de carros. A História irá
registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot
francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos
antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda
não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do
prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha
cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar,
debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas
para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer
sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que
eles também perderam o emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de
carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma
empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de
impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a
respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a
preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e
deve ser prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas
poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de
energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos
conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes,
trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa
infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial
e a mão-de-obra especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela
corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para
o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos
atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as
pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os
comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que
está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse
histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl
Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em
guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de
carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem
energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM
interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de
montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta
conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas
foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós
travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes
corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os
produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje uma das
maiores armas de destruição em massa, responsável pelas mudanças
climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de
dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe
Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à
ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do
petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo
o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão
“chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram
milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para
as futuras gerações.
Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem
ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no
planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado
para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um
litro de gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente
converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela
continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para
manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a
construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O
Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala
este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h.
Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens
há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já
existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los
Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido
usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para
construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em
menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a
Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves
sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa
esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para
instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de
bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus
energeticamente eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros
híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para
que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar,
então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que
os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses
(não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas
levará alguns anos – isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços
para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia
alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares
imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus
ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar
energia alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto
em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais
pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem
a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de
automóveis irão construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors,
já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser
construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de
longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo
a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção.
Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele
nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes
drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás
também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à
corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela
primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora
isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente
– e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística
– devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com
este limão amargo e triste.

Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte
certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint –
Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho
que nós podemos fazer um trabalho melhor.

Michael Moore

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Os sem-e-mail

Posted in tecnologia on março 28, 2009 by nitchka10
Knuth in the air

Knuth in the air

Nada mais fácil do que arrumar um e-mail, ou mais antiquado que não tê-lo. Pois há algum tempo esta idéia fixa, preconceito, ou necessidade me incomoda. Hoje, sem mais, topei com o “site” de um dos maiores programadores de computador da história, homem admirado somente nos circuitos de matemáticos, que não frequento, e artífice de códigos fundamentais para a evolução da computação. Além disso, se formos a fundo na busca pela origem da ideia dos software livre ou a creativecommon, seguramente chegaremos nele, que decidiu se aposentar para trabalhar mais em seu livro The art of computer programing que escreve desde 1968. E desde 1990, Donald decidiu que responderia cartas pelo correio, como um pequeno gesto de liberdade.

I have been a happy man ever since January 1, 1990, when I no longer had an email address. I’d used email since about 1975, and it seems to me that 15 years of email is plenty for one lifetime.

Email is a wonderful thing for people whose role in life is to be on top of things. But not for me; my role is to be on the bottom of things. What I do takes long hours of studying and uninterruptible concentration. I try to learn certain areas of computer science exhaustively; then I try to digest that knowledge into a form that is accessible to people who don’t have time for such study. [Fonte]

A crise como maquiagem: a GM e a Chrysler vão quebrar?

Posted in imprensa, tecnologia with tags , on dezembro 28, 2008 by nitchka10
Dont chrysler for me Argentina

Don't chrysler for me Argentina

Desde que a tal crise começou eu tive duas sensações: uma de euforia, porque afinal diziam: o capitalismo vai mudar, o capitalismo está acabando e algo vai aparecer (sorry, estamos sujeitos ao messianismo). A segunda sensação, talvez mais interessante, foi a de que… — espere aí, esta crise justificará qualquer coisa!

Não me engano, a crise é de fato real e chegou com força. Mas o que me preocupa são as ações coordenadas entre o Estado e as grandes corporações. Quando li a primeira matéria sobre a suposta quebra da GM, lembrei-me de um artigo que li há alguns anos, em que se comparavam os lucros da GM e da Microsoft. A primeira faturava mais no bruto, mas por causa dos salários, ela não alcançava nem de longe os lucros da segunda. Curiosamente, a matéria que caiu agora nas minhas mãos apresenta um infográfico com uma curva ascendente pipocada de ícones da empresa, e uma curva descendente que começa com a foto de uma greve. Ah! como entendi o sentido das palavras na imagem: A GM passou a não ser mais competitiva quando os trabalhadores conseguiram algumas conquistas durante a década de 1990.

A GM era mais real, e menos lucrativa. É duro dizer: a GM não cabe nesse mundo em que bilhões de braços podem trabalhar por menos. Ela tem de se adaptar, e se não quebrar, no mínimo, vai fechar as suas fábricas e se mudar para a China, com auxílio do governo americano e em detrimento da massa de mão-de-obra cara, que deixa de ganhar salários altos e perde ainda as ações que tinha como poupança.

Mas e se a GM ou a Chrysler quebrar? Bom, o efeito será um pouco mais devastador, porque muitas empresas quebrarão junto com elas, mas o efeito, no final, será o mesmo: uma empresa do terceiro mundo, chinesa provavelmente, vai assumir o negócio.

A Chrysler no Brasil

Lembrem-se que o core de uma indústria automobilística é o motor. Foi a falta de um motor próprio que quebrou, por exemplo, o Gurgel e inviabilizou uma indústria brasileira. Enfim, não tenho certeza dos fatos, mas lembro que a DaimlerChrysler abriu uma fábrica no Brasil, e logo acertou de vendê-la para uma empresa estatal chinesa. Para quem não recorda, essa foi a fábrica que levou a uma guerra entre alguns governadores brasileiros, para ver quem dava mais isenção fiscal para “fazer a região crescer”.

Enfim, não é preciso ser um grande estrategista russo para se perguntar: por que raios os americanos entregam uma fábrica de motores para uma empresa chinesa? Teoria da conspiração? Acho que não. Apenas uma nova lógica de mercado, em que as forças das corporações transcendem não só o Estados nacionais, mas seus próprios nomes, em função de uma otimização do capital para a exploração de mão-de-obra e desmobilização do Estado de bem estar.

Essa lógica da otimização tomou obviamente o Estado, mas não da forma que a imprensa coloca: rios de dinheiro para salvar o capitalismo. O que não consegui entender lendo quilômetros de págians, um gerente do Citibank me explicou em duas palavras: “as ações do Citigroup valiam 19 e cairam para 6. O governo americano comprou 20 bilhões em ações, porque sabe que elas também vão valorizar”. Enfim, é óbvio que não é o caso de comparar este valor com o que poderia ter sido gasto com crianças na África, mas sim, de entender como a razão do capital internacional se tornou lógica para os Estados nacionais. Não se trata de jogatina, como diz Lula para os alfaces-espectadores, mas sim de pura lógica em funcionamento, razão prática além de qualquer política.

Dúvidas

Parece que e DaimlerChrysler vendeu para um fundo de investimento chamado Cerberus uma das suas maiores fábricas. Seria interessante saber o que este fundo fez com ela.

Outra questão que gostaria de saber: a Volvo fechou fábricas na Suécia? Ouvi rumores, mas não consegui confirmar.

A revolução silenciosa do software livre: abrindo a caixa preta de Vilém Flusser com o abridor de Antonio Gramsci

Posted in arte, movimentos, tecnologia with tags on dezembro 21, 2008 by nitchka10
o que uma imagem tem em comum com um milho trangênico?

Para Vilém Flusser:o que uma imagem tem em comum com um milho trangênico?

Quando ainda estava na cadeia, o filósofo italiano, Antonio Gramsci percebeu algo incrível: o vento contra a revolução sopraria do outro lado do atlântico, dos EUA, e qualquer movimento operário teria que encarar daqui para a frente o “americanismo”, que para ele era a “corporação”, corpo místico que mistura trabalho organizado (taylorismo), controle das práticas sexuais e familiares pela ideologia do lazer e, o principal, um novo contrato social, jurídico, que permitiu dissolver as lutas de classe. Resumindo o resumo, o operário que antes se revoltava, agora tinha um status jurídico que lhe permitia comprar umas ações da empresa onde trabalhava e se realizava no club da empresa. Além disso tinha um crachá e uma carreira, que fazia dos salários uma diferença entre os operários, e não uma bandeira de reivindicação comum.

O movimento corporativo existe, e em alguns aspectos, as ações jurídicas criaram condições formais, que podem ser confirmadas pela transformação técnico-econômica em larga escala, já que os operários não podem mais se opor, nem podem lutar para tornarem-se, eles mesmos, porta-estandartes. A organização corporativa pode se configurar pela transformação, mas a pergunta é: teremos uma daquelas astúcias da providência, próprias de Vico, pelas quais os homens, sem se proporem a isso e sem desejar, obedecem aos imperativos da história? Por enquanto, somos levados a duvidar. O elemento negativo da polícia
econômica
prevaleceu até agora sobre o elemento positivo que advém da exigência de uma nova política econômica que, modernizando-a renova a estrutura econômico-social da nação, principalmente no que diz respeito aos quadros do velho industrialismo. A forma jurídica possível é uma das condições, não a única condição e nem a mais importante. É apenas a mais importante das condições imediatas. A americanização requer um dado ambiente, uma determinada estrutura social — ou a vontade decidida de criá-la — e um certo tipo de Estado. O Estado é o liberal, não como o liberalismo alfandegário ou da liberdade política efetiva, mas no sentido mais fundamental da livre-iniciativa e do individualismo econômico que colaboram com meios próprios, como sociedade civil, para o próprio desenvolvimento histórico, no regime da concentração industrial e do monopólio. [Fonte: Gramsci, Americanismo e fordismo, Hedra]

É este o capitalismo em que vivemos hoje, em que a dona de casa americana e o fundo de pensão dos funcionários são “donos virtuais”. É o sistema que vemos em crise, apesar de a esquerda querer ressucitar a luta de classes do século XIX. E ao meu ver é exatamente no aspecto jurídico das corporações que o software livre bateu. Um movimento simples, um novo contrato social, baseado não no direito autoral, mas sim no valor do trabalho de cada um e na filia (para não usar a palavra solidariedade, que, parece sempre uma coisa da igreja). O pulo do gato foi dado por Richard Stallman, que criou uma licença de algumas páginas chamada GPL, que pode ser resumida assim:

  1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0)
  2. A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2).
  4. A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie deles (liberdade nº 3). O acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

A corporação ficou de fora, ou, ao menos, de lado. A corporação, que explora a venda de royalties de tecnologia e não a sua aplicação direta (vide… China), passou a presenciar o desenvolvimento exponencial de códigos e a diversificação do seu uso de forma inesperada. Este mero acordo jurídico, que transcende as leis nacionais, e que é baseado em liberdades, acabará tomando outros “mercados”, e os transformará em nervos sociais, como já é a wikipédia, por exemplo. Mas as mudanças vão além dos produtos.

Há de fato uma intervenção no conceito de autoria, na valorização do trabalho e no limite das empresas, e consequentemente, na função do Estado, que nos últimos tempos se tornou um portal (menor) de corporações.


(The Code, 2001. Boa introdução ao mundo dos “nerds” políticos, infelizmente parte em inglês, chinês, finlandês!)

A valorização do Hacker

O filósofo Vilém Flusser, que só não foi brasileiro porque o Brasil não quis, escreveu um bom livro chamado Filosofia da caixa preta, em que fala da criação das imagens por aparelhos cuja lógica do funcionamento não nos pertence. Se encararmos a produção de códigos e o ocultamento sucessivo e infinito deles em caixas pretas, é óbvio que entenderemos a profundidade da mudança que o software livre procura, não só na economia e no trabalho, mas na cultura.

Pois há algo de comum entre o aparelho fotográfico industrializado e o código operado por botões virtuais (destinado aos usuários e escrito por especialistas), mas também entre uma patende de um remédio ou, pior, a fórmula química de um trangênico qualquer, capaz de solapar com a produção agrícola de um país em 5 anos.

O hacker é quem se propõe a abrir o código, e ao invés de roubá-lo, como se pensa geralmente, pretende escrevê-lo em conjunto com uma comunidade. Assim, o hacker não propõe a reprodução ilícita de uma mercadoria que já existe, mas a criação de um novo circuito, que já não pode ser reconhecido como “mercado”…

Questão de pano pra manga.

Centro de Mídia Independente… não seria o caso de matar a Rê Bordosa?

Posted in anarquismo americano, cidade, imprensa, mídia, movimentos, tecnologia with tags on novembro 23, 2008 by nitchka10
Rê Bordosa

Rê Bordosa

Uma vez entrei no site italiano do Centro de Mídia Independente e me dei de cara com uma mensagem do tipo “fechado pra balanço”. Tentei de toda forma saber o que tinha acontecido, e a única explicação que encontrei na época é que o site tinha perdido o sentido e os organizadores resolveram, como Angeli, matar a Rê Bordosa. Enfim, aprendi há algum tempo a não ter apego às “conquistas” e simplesmente arquivei o caso. Coisas legais são mesmo provisórias e esta é talvez a maior lição do anarquismo do século XIX. Passeando pelos CMIs do mundo percebo duas linhas: ou o vazio completo, como CMI russo, que publicou exatamente 12 posts para o ano de 2008, ou o de Kansas City, que parou em janeiro de 2007, e Índia e Portugal que estão fora do ar! Ou uma enxurrada de notícias sobre o movimento universitário, pura agenda das ações de organizações muitas vezes partidárias. Vejam, nada contra os estudantes, que devem se organizar. Mas da forma como estão sendo publicados os “gritos pela liberdade”, está difícil distinguir anarquistas de trotskistas tresloucados pelo poder. Além disso, os coletivos perderam totalmente a relação com os leitores, e a tradicional coluna da direita passou a ser uma terra de ninguém, sem debate algum, mero descarrego dos leitores que não são ouvidos pelos organizadores do CMI, enfim, particularmente a coisa mais interessante do site agora. Salvam-se –é verdade– a pauta sobre os passes livres. A impressão grosseira que tenho é que os movimentos sociais mais partidários tomaram conta e “oficializam” o espaço livre. Talvez valha a pena ser mais federalista e acabar com esses sites nacionais, pois os CMIs locais, como o da Bielo-Rússia, ou os americanos, como o de Chicago e Nova York me parecem mais fortes. Uma boa idéia seria reunir o melhor dos CMIs num site de tradução voluntária. Enfim, acho que é preciso mesmo uma Fênix-Rê Bordosa.

Inalambrica_DC: Internet livre em Bogotá…

Posted in tecnologia with tags on setembro 28, 2008 by nitchka10

Meu deus, como fazer isso em São Paulo?!

Achei também um grupo chamado Wireless Networking in the Developing World. Eles inclusive têm um livro sobre o assunto que pode ser baixado pela rede.

Buenos Aires Libre: a internet para todos de verdade não precisa do Estado

Posted in tecnologia on setembro 28, 2008 by nitchka10

Ação direta

Nesta semana a Marta Suplicy deu uma daquelas cartadas de marketeiro: “internet para todos”, uma resposta às “amas”, de Kassab. Enfim, nada a declarar.

Mas isso, ao menos, me fez pensar na Buenos Aires Livre, um movimento totalmente voluntário para o compartilhamento de internet. A coisa parece simples: você libera a sua banda para qualquer pessoa, e provavelmente deve separar grande parte dela para o seu uso. Enfim ação direta, coletiva, sem hierarquia, sem liderança ou bandeira. É possível até ver um mapa da cidade e saber que sócio por perto está com a internet aberta. E como se não bastasse, eles improvisam umas antenas e potencializam os sinais.

Diagrama filial

Diagrama filial portenho

Vejam a abertura do site: é uma declaração curta de princípios simples:

Somos un grupo de individuos que haciendo causa común creamos, mantenemos y ampliamos una red digital comunitaria en Buenos Aires y sus alrededores.
Estamos abiertos a la utilización de todas las tecnologías a nuestro alcance, aunque de momento sólo utilizamos tecnología wireless (802.11b/g).

Valoramos la cooperación, tolerancia, innovación y solidaridad en nuestra comunidad.

Curioso, quis saber que outras cidades usam essa tecnologia solidária para compartilhar banda. Achei o site FreeNetworking. Eis a lista de redes como essas por aí.

  • Losnet (Amsterdam, Netherlands)
  • Internet Santa Cruz (Argentina)
  • BuenosAiresLibre (Buenosaires Argentina)
  • Aeroenlace :: Comunidad Wireless (Aeroenlace)
  • funkfeuer (Vienna, Austria)
  • funkfeuer (Vienna)
  • Nameless Wireless (Sydney Australia)
  • Air-Stream Wireless (, American Samoa)
  • BC Wireless (BC, Canada)
  • Ile sans fil (Montreal Qc, Canada)
  • altred (Altred)
  • altred – medellinwireless (Medellin, Colombia)
  • Sdruzeni Klfree.net (Kladno, Czech Republic)
  • CZFree.Net (, Czech Republic)
  • freifunk.net (Germany, Germany)
  • wifi-frankfurt.de (Frankfurt, Germany)
  • Opennet-Forum (Rostock Germany)
  • FDF / ProWlan (Fdf)
  • BadalonaWireless (Badalona, Spain)
  • SevillaWireless (Sevilla)
  • redwifi (Valencia Spain)
  • RedLibre (Spain)(Pobletewireless)
  • Marseille Wireless (Marseille France)
  • France wireless (France)
  • Burngreave Community Area Network (Sheffield, Great Britain)
  • ZNET (Znet)
  • ninux.org (Rome Italy)
  • Outernet (, Poland)
  • Bristol Wireless (Bristol, United Kingdom)
  • Wireless London (London, United Kingdom)
  • Naan (Naan)
  • Lancaster Mesh (Lancaster, United Kingdom)
  • SeattleWireless (Seattle, United States)
  • Personal Telco Project (PortlandOR, United States)
  • Alameda Wireless (Alameda, United States)
  • ThirdBreak (Santacruz Ca, United States)
  • atlantafreenet (Atlantafreenet)
  • Champaign-Urbana Community Wireless Network (CUWiN) (Urbana Il, United States)
  • SoCalFreenet.org (Socal, United States)
  • SFLan (Sanfrancisco Ca, United States)
  • OpenHazuki (Pasadena Ca, United States)
  • West Virginia Broadband, Inc. (Braxton-county Wv, United States)
  • C-U Wireless (, United States)
  • ColumbusFreeNet.org (Columbus Ga, United States)
  • PhillyMesh (Philadelphia, United States)
  • Tremont Wifi Neighborhood (Cleveland Oh, United States)
  • MontevideoLibre.org (Montevideo Uruguay)
  • JaWug (Jhb, South Africa)
  • Pretoria Wireless Project (Pta, South Africa)